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Calculadora de TIR / Taxa Interna Rentabilidade

Calcule a taxa de desconto que torna o VAL igual a zero para o seu investimento

Conceito de TIR

Definição de TIR
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VAL na TIR
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Regra de Decisão
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%
Fluxo de Caixa Ano

O que é a Taxa Interna de Rentabilidade (TIR)?

A Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) -- por vezes também designada por taxa interna de retorno -- é a taxa de desconto que torna o Valor Actual Líquido (VAL) de todos os fluxos de caixa de um investimento igual a zero. Por outras palavras, é a taxa anual composta de rentabilidade esperada de um projecto quando todos os cash-flows de entrada e saída são actualizados a essa mesma taxa.

A TIR é a métrica padrão na análise de investimentos em PME portuguesas, no imobiliário de rendimento e em fundos de private equity. Compara-se a TIR com a taxa exigida (hurdle rate), normalmente o custo médio ponderado do capital (WACC). Se a TIR estiver acima da hurdle rate, o projecto cria valor; se estiver abaixo, destrói valor.

A grande vantagem da TIR é fornecer uma percentagem adimensional que se compara facilmente entre diferentes oportunidades. Em contrapartida, a métrica tem limitações conhecidas -- a hipótese de reinvestimento, o problema das múltiplas raízes em fluxos com sinais alternados e a cegueira face à escala -- amplamente discutidas em manuais de finanças empresariais e nas notas de Damodaran (NYU Stern).

A fórmula da TIR: resolver VAL = 0

A TIR é definida implicitamente pela equação 0 = Σ CF_t / (1+TIR)^t para t = 0..n, em que CF_0 representa o investimento inicial (com sinal negativo) e CF_t para t ≥ 1 é o fluxo de caixa líquido do ano t. Não existe solução fechada para n > 4, pelo que a calculadora encontra a TIR numericamente, procurando a taxa de desconto à qual o VAL é exactamente zero.

A bisecção é robusta e apropriada para qualquer série convencional de cash-flows. O método de Newton-Raphson é mais rápido (e é o usado por baixo do Excel ou Google Sheets), mas pode divergir com valores iniciais infelizes. Esta calculadora usa bisecção entre -99% e +1000% com tolerância de 0,0001, em linha com a implementação de calculadoras financeiras e da maioria das bibliotecas open-source.

A regra de decisão é mecânica: aceitar se a TIR exceder a hurdle rate, rejeitar se ficar abaixo, marginal se as duas se aproximarem dentro de 0,01%. A hurdle rate deve corresponder ao WACC acrescido de um prémio de risco específico do projecto.

TIR versus TIRM: quando usar cada uma?

A TIR Modificada (TIRM) é uma variante que evita a hipótese de reinvestimento da TIR clássica. Em vez de assumir que os fluxos intermédios são reinvestidos à própria TIR, a TIRM usa uma taxa de reinvestimento explícita (geralmente o WACC) e uma taxa de financiamento separada para os fluxos negativos.

Para projectos em Portugal com TIR de duplo dígito -- por exemplo uma PME do Norte com TIR projectada de 25% enquanto o financiamento via Caixa Geral de Depósitos ou Banco BPI custa cerca de 5-6% -- a TIRM é mais realista. A TIR clássica sugere que todos os ganhos intermédios continuam a render 25%, o que dificilmente acontece na prática. A TIRM com reinvestimento de 3-5% (próximo das taxas de depósitos e Certificados de Aforro do IGCP) produz um valor bastante mais conservador.

Como regra geral: use TIR para sinalizar oportunidades, mas reporte TIRM aos órgãos de gestão quando os fluxos têm sinais alternados ou quando o nível absoluto da TIR é claramente irrealista face às oportunidades de mercado.

Definir a hurdle rate a partir do WACC

A hurdle rate é a rentabilidade mínima que um investimento tem de gerar para ser considerado atractivo. Para empresas portuguesas, parte-se quase sempre do WACC -- o custo médio ponderado do capital alheio e do capital próprio, depois de imposto sobre o rendimento (IRC à taxa actual de 21%, mais derramas).

Uma PME em Aveiro com 60% de financiamento bancário a 5,5% (após IRC, cerca de 4,3%) e 40% de capital próprio com retorno exigido de 10% tem um WACC aproximado de 6,6%. A esse valor pode somar-se um prémio específico ao projecto: 2-3 pontos percentuais para mercados internacionais novos, 1-2 pontos para tecnologia ainda não testada, ou desconto de 1-2 pontos para projectos de poupança energética de baixo risco.

Em projectos elegíveis para apoio do IAPMEI, do Portugal 2030 ou do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), considere a componente de subsídio a fundo perdido como redução directa do Investimento Inicial -- isso aumenta substancialmente a TIR efectiva. Para investimento em I&D, o SIFIDE II oferece crédito fiscal que pode chegar a 82,5% das despesas elegíveis.

TIR em imobiliário de rendimento em Portugal

No imobiliário português, a TIR é a métrica corrente para condensar num único número as rendas, encargos de manutenção, perda por vagantes, e a mais-valia final na venda. Um apartamento de arrendamento em Lisboa ou Porto é tipicamente subscrito com uma TIR-alvo de 5-8% nominal para core (rendas estáveis em zonas consolidadas) e 10-15% para projectos value-add com reabilitação ARU.

Modele explicitamente os custos do senhorio: IMI (taxa entre 0,3% e 0,45% do VPT consoante o município), AIMI nos patrimónios acima de 600 mil euros, condomínio, seguro, gestão (tipicamente 8-10% da renda) e fundo de reserva de manutenção de 1-2% do valor do imóvel por ano. No ano da venda, some o valor líquido após IMT (geralmente já pago na compra), comissão de mediadora (5-6% + IVA) e mais-valia tributada em IRS.

Atenção ao enquadramento fiscal das rendas: pessoa singular pode optar pela tributação autónoma a 25% (rendas brutas) ou pelo englobamento nos escalões progressivos de IRS após dedução de despesas. Sociedades pagam IRC sobre o lucro tributável. Inclua sempre o imposto líquido na série de cash-flows antes de calcular a TIR.

Referenciais de TIR por tipo de investimento

As TIRs aceitáveis variam significativamente conforme o tipo de investimento, o nível de risco e as condições de mercado em Portugal e na zona euro.

Tipo de InvestimentoFaixa Típica de TIRNível de RiscoObservações
Obrigações do Tesouro (OT) 2,5-3,5% Muito Baixo Referência sem risco do IGCP
Certificados de Aforro / Tesouro 2-4% Muito Baixo Produtos retalho IGCP
Obrigações Corporativas IG 4-6% Baixo Prémio pelo risco de crédito
Índice de Acções Global (EUR) 7-9% Médio Média de longo prazo em euros
Imobiliário Core (Lisboa/Porto) 5-8% Médio Rendas + valorização
Imobiliário Value-Add (ARU) 10-15% Médio-Alto Reabilitação + arrendamento
Private Equity (Buyout) 15-25% Alto Prémio de iliquidez
Capital de Risco / Startups 25-40% Muito Alto Maioria dos investimentos falha

Limitações da TIR

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Hipótese de reinvestimento

A TIR pressupõe que os fluxos intermédios são reinvestidos à própria TIR. Para um projecto a 30% raramente é realista no mercado português, onde alternativas líquidas pagam 2-5%. A TIRM com taxa de reinvestimento separada (igual ao WACC ou à taxa do IGCP) dá um valor mais defensável.

📉

Múltiplas TIRs

Projectos com fluxos alternados positivos e negativos -- por exemplo uma central com custos de desmantelamento finais -- podem ter várias TIRs matemáticas ou nenhuma TIR real. Recorra ao VAL nestes casos.

⚖️

Cegueira de escala

A TIR ignora o tamanho do projecto. 50% sobre 10.000 euros gera menos valor absoluto do que 20% sobre 1 milhão. Em decisões entre projectos mutuamente exclusivos, ordene por VAL, não por TIR.

Enviesamento temporal

A TIR favorece projectos curtos e rápidos face a projectos longos que criam mais valor total. Combine sempre TIR com VAL e com a regra empírica dos 72 para o tempo de duplicação.

Como usar esta calculadora de TIR

  1. Preencha o Investimento Inicial -- o valor em euros que precisa no ano 0 para arrancar o projecto. Introduza um número positivo; a calculadora regista-o automaticamente como fluxo de saída em t = 0.
  2. Preencha a Taxa Mínima de Atractividade (%) -- o seu custo de capital ou retorno exigido. Para uma PME portuguesa, este valor situa-se tipicamente no WACC acrescido de um prémio de risco (faixa habitual 6-12%). Deixe os 10% por defeito se ainda não tem benchmark fixo.
  3. Preencha o Fluxo de Caixa do Ano 1 ao Ano 5 com o cash-flow líquido (depois de IRC) que espera receber em cada ano. Use números positivos para entradas e negativos para anos em que o projecto ainda consome caixa (por exemplo investimentos adicionais ou obras de reabilitação).
  4. Carregue em + Adicionar Ano para alargar a projecção -- útil para imobiliário de longa duração (10-15 anos), planos PPR ou projectos I&D plurianuais com SIFIDE II. Use × para remover um ano acrescentado.
  5. Carregue em Calcular TIR. A calculadora itera numericamente (bisecção entre -99% e +1000%) sobre a taxa que produz VAL = 0 e mostra a TIR, o investimento total, os retornos totais, o ganho líquido e a decisão Aceitar/Rejeitar face à sua hurdle rate. Limpar inicia um novo cenário.

Exemplos

Investimento PME: 100.000 € em equipamento, 30.000 €/ano durante 5 anos

Uma empresa familiar de Braga avalia uma máquina CNC de 100.000 €. O contabilista estima 30.000 € de fluxo de caixa líquido anual durante cinco anos (depois de manutenção e energia), sem valor residual. O WACC da empresa é 8% e a hurdle rate definida para investimentos de expansão é 10%.

ResultadoTIR aproximadamente 15,24%. Investimento total 100.000 €, retornos totais 150.000 €, ganho líquido 50.000 €. Decisão: Aceitar porque a TIR ultrapassa a hurdle rate de 10%.

A calculadora procura a taxa r tal que -100.000 + Σ 30.000 / (1+r)^t (t = 1..5) seja exactamente zero. Em r = 10% o VAL é positivo (cerca de 13.724 €), em r = 20% é negativo, e a bisecção converge para cerca de 15,24%. A margem de 5,24 pontos sobre a hurdle dá folga para erros nas premissas. Investimentos elegíveis ao Portugal 2030 ou ao SIFIDE II reduzem o investimento líquido e elevam a TIR efectiva.

Imóvel de arrendamento em Lisboa: 350.000 € de aquisição, renda anual e venda no ano 10

Um particular adquire um T2 em Lisboa por 350.000 € (incluindo IMT, Imposto de Selo e escritura). A renda líquida anual estimada é 14.000 € (depois de IMI, condomínio, gestão, reserva de manutenção e perda por vagantes). No ano 10 vende o imóvel por 525.000 € brutos, cerca de 472.500 € líquidos após comissão de mediadora e mais-valia. Hurdle rate 7%.

ResultadoApenas com cinco anos de renda (sem incluir a venda nesta série simplificada), a calculadora apresenta uma TIR fortemente negativa. Acrescente os anos 6-10 com + Adicionar Ano e coloque no ano 10 o valor 14.000 € + 472.500 € = 486.500 € (renda + venda líquida). A TIR fica então em cerca de 7,3%, ligeiramente acima da hurdle de 7%.

A TIR imobiliária combina rendas correntes com o valor terminal do imóvel. Para o caso português, antes da inserção dos cash-flows deve abater IMI (0,3-0,45% do VPT), eventualmente AIMI, IRS sobre rendas (25% autónomo ou englobamento) e reserva para obras. Para a TIRM com taxa de reinvestimento de 3% (próxima dos Certificados de Aforro do IGCP), o valor fica tipicamente 1-2 pontos abaixo da TIR -- mais realista em comparações de longo prazo.

Problema das TIRs múltiplas: mineração com custos de desmantelamento

Um consórcio explora temporariamente um recurso mineral: 4.000 € de pré-investimento, 25.000 € de receitas no ano 1 e 25.000 € de custos obrigatórios de desmantelamento e recuperação ambiental no ano 2. A série tem duas mudanças de sinal, portanto, pela regra de sinais de Descartes, pode haver até duas TIRs reais.

ResultadoDuas TIRs matemáticas satisfazem VAL = 0 -- aproximadamente 25% e cerca de 400%. A bisecção devolve apenas uma raiz, mas nenhuma das duas TIRs por si só indica se o projecto deve ser aceite. Investimento total 4.000 €, entradas totais 25.000 €, saídas totais 29.000 €, posição líquida de caixa -4.000 €.

Resolva -4.000 + 25.000/(1+r) - 25.000/(1+r)² = 0 reescrevendo a equação quadrática em x = 1/(1+r). As duas raízes traduzem-se em r ≈ 0,25 e r ≈ 4,00. Em presença de sinais alternados, recue para o VAL ao seu custo de capital ou calcule a TIRM com taxas explícitas de financiamento e reinvestimento. A 10% de custo de capital, o VAL deste exemplo é negativo, pelo que o projecto seria rejeitado -- mesmo com uma das TIRs aparentemente atractiva.

Como funciona

A TIR define-se implicitamente como a taxa de desconto que satisfaz 0 = Σ CF_t / (1+TIR)^t (t = 0..n), em que CF_0 é o investimento inicial (com sinal negativo) e CF_t para t ≥ 1 é o fluxo de caixa líquido do ano t. Como não há fórmula fechada para n > 4, as calculadoras encontram a TIR numericamente, procurando a taxa que conduz o VAL a zero.

Por baixo do capot, a calculadora verifica primeiro a existência de pelo menos uma mudança de sinal na série (condição necessária para uma TIR real) e aplica depois bisecção entre -99% e +1000%. Cada iteração avalia o VAL no ponto médio e estreita o intervalo para o lado em que o VAL muda de sinal, até o VAL ficar dentro da tolerância de 0,0001 ou os limites coincidirem. O método de Newton-Raphson e o da secante são mais rápidos (e usados nas funções TIR das folhas de cálculo), mas a bisecção é robusta a descontinuidades e converge sempre que existe uma raiz real no intervalo.

Encontrada a TIR, a regra é mecânica: aceitar se TIR > hurdle rate, rejeitar se TIR < hurdle rate, marginal quando estão a menos de 0,01% uma da outra. A hurdle rate deve igualar o seu custo médio ponderado do capital (WACC) acrescido de um prémio de risco calibrado à volatilidade do projecto -- uma hurdle demasiado baixa aprova projectos que destroem valor, uma demasiado alta rejeita projectos aceitáveis.

Quando usar esta calculadora

  • Triagem de investimentos PME com fluxos convencionais. Quando o projecto tem uma única saída inicial seguida de entradas anuais positivas, a TIR é bem definida e intuitiva -- uma percentagem que se compara directamente com o seu custo de capital. Use a calculadora para uma decisão rápida Aceitar/Rejeitar antes de montar um modelo financeiro detalhado. Ideal para aquisição de equipamento, expansão de linhas de produto ou automação industrial em PME portuguesas, especialmente quando há análise de candidatura ao IAPMEI.
  • Cálculo da TIR para imobiliário de rendimento. Imóveis para arrendamento em Lisboa, Porto, Cascais ou Coimbra são tipicamente subscritos com TIR-alvo entre 5-8% (core) e 10-15% (value-add, especialmente em ARU). Inclua cash-flows plurianuais de renda e o valor líquido da venda no ano final -- lembre-se de descontar IMI, eventualmente AIMI, condomínio, gestão e a tributação em IRS antes de fechar a série de entradas.
  • Modelar investimentos com apoio do PRR e Portugal 2030. Para projectos elegíveis -- digitalização, transição energética, I&D, reindustrialização -- pode beneficiar de subsídio reembolsável e/ou a fundo perdido através do PRR ou do Portugal 2030. Estes apoios reduzem o investimento líquido em 30-60% nalgumas tipologias e podem elevar a TIR em 3-8 pontos percentuais. Insira o investimento líquido depois do subsídio como Investimento Inicial para ver o efeito directo na TIR.
  • Comparar projectos contra uma hurdle sectorial. Comités de investimento trabalham com TIR mais do que com VAL porque as percentagens são mais fáceis de comparar entre dimensões e cohortes. Use a calculadora para traduzir uma série de cash-flows previstos na TIR que o seu conselho de administração, comissão de investimentos ou banco financiador reconhece -- compare com benchmarks sectoriais de Damodaran, com dados da CMVM para fundos, ou com estatísticas do Banco de Portugal.
  • Comunicar resultados a interlocutores não técnicos. Uma TIR de 22% é mais concreta para a maioria do que 'VAL de 4,7 milhões de euros a taxa de desconto de 12%'. Use a TIR quando explica resultados a empresários, sócios de family office ou administradores executivos -- mas no memorando subjacente combine sempre com o VAL para não perder noção de escala.

Erros comuns a evitar

  • ErroSubestimar a hipótese de reinvestimento da TIR.
    SoluçãoA TIR clássica assume que os fluxos intermédios são reinvestidos à própria TIR. Para um projecto com TIR de 35% isso raramente é realista no mercado português -- a oportunidade de reinvestimento corrente é mais próxima dos 2-5% (depósitos a prazo, Certificados de Aforro do IGCP, OT). Calcule a TIRM com taxa de financiamento e taxa de reinvestimento separada (igual ao WACC) para um número mais defensável.
  • ErroEscolher o projecto de maior TIR em opções mutuamente exclusivas.
    SoluçãoA TIR ignora a escala. Uma TIR de 40% num projecto de 50.000 € entrega menos valor absoluto do que uma TIR de 20% num projecto de 5 milhões. Para escolhas mutuamente exclusivas -- por exemplo entre duas localizações de uma nova unidade fabril -- ordene por VAL ao seu custo de capital, não por TIR.
  • ErroReportar uma única TIR em fluxos não convencionais.
    SoluçãoCada mudança de sinal na série pode introduzir uma TIR real adicional. Se o seu projecto tem capex intermédio, custos de descomissionamento ambiental ou cláusulas de earn-out, verifique o VAL a várias taxas de desconto ou use a TIRM -- não confie cegamente na primeira raiz que o solver devolver.
  • ErroComparar TIRs de projectos com horizontes diferentes.
    SoluçãoUm projecto a 5 anos com TIR de 25% e outro a 10 anos com TIR de 18% não são directamente comparáveis. Modele ambos ao mesmo horizonte (com reinvestimento realista do projecto mais curto) ou ordene por VAL, que já trata diferenças de horizonte.
  • ErroEsquecer IRS, IRC, IMI e IMT na construção do cash-flow líquido.
    SoluçãoPara particulares portugueses em imobiliário ou aplicações financeiras, abata o imposto antes de inserir o fluxo na calculadora -- caso contrário a TIR fica sobrevalorizada. Para imóveis de arrendamento: IMT e Imposto de Selo entram no Investimento Inicial, IMI/AIMI e IRS sobre rendas reduzem o fluxo anual. Para investimento empresarial, deduza o IRC (21% + derramas) do lucro tributável antes de calcular o fluxo líquido.
  • ErroMisturar fluxos nominais com hurdle rate real (ou vice-versa).
    SoluçãoEscolha uma convenção e mantenha-a. Se os fluxos incluem inflação esperada, a hurdle rate também tem de ser nominal. Misturar nominal e real introduz enviesamento sistemático em horizontes longos -- num cenário de inflação na zona euro próxima de 2-3%, ignorar essa distinção desvia a decisão Aceitar/Rejeitar.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre TIR e VAL?

O VAL (Valor Actual Líquido) é o valor em euros presentes que um projecto adiciona à taxa de desconto que escolhe; a TIR é a taxa de desconto à qual o VAL seria exactamente zero. O VAL exige que defina um custo de capital e devolve um montante em euros que escala com o tamanho do projecto; a TIR é adimensional e mais fácil de comparar entre deals, mas pode ser enganadora em projectos mutuamente exclusivos, escalas diferentes e fluxos não convencionais. Quando os dois métodos divergem no ranking, siga o VAL.

Uma TIR mais alta é sempre melhor?

Para o ranking de projectos, não. A TIR ignora a escala: 60% sobre 20.000 € entrega menos valor absoluto do que 22% sobre 5 milhões. A TIR assume também que os fluxos intermédios são reinvestidos à própria TIR -- raramente realista em taxas de duplo dígito num mercado como o português. Para projectos independentes, 'TIR mais alta > hurdle' é um bom sinal de aceitação; para escolher entre projectos concorrentes use VAL ou TIRM com taxa de reinvestimento realista.

O que é a TIRM e quando devo usá-la?

A TIR Modificada (TIRM) calcula o retorno capitalizando os fluxos positivos para a frente a uma taxa de reinvestimento explícita (geralmente o WACC ou a taxa de Certificados de Aforro do IGCP) e descontando os fluxos negativos a uma taxa de financiamento. O resultado é uma taxa única e bem definida, mesmo quando a TIR clássica tem múltiplas raízes ou pressupõe reinvestimento implausível. Use a TIRM para projectos com fluxos não convencionais, TIRs muito altas que claramente não existem como oportunidade de reinvestimento, ou comparações em horizontes longos.

Porque é que o meu projecto tem várias TIRs?

A regra de sinais de Descartes diz que uma série com k mudanças de sinal pode ter até k TIRs reais positivas. Projectos com um único investimento inicial e depois só fluxos positivos têm no máximo uma TIR. Projectos com capex intermédio, custos de descomissionamento ou earn-outs frequentemente têm duas mudanças de sinal e podem produzir duas TIRs válidas. Nestes casos nenhuma das TIRs por si só conta a história completa -- mude para o VAL ao seu custo de capital ou utilize a TIRM.

Como calculo a TIR para um imóvel de arrendamento em Portugal?

Introduza o investimento líquido como Investimento Inicial (preço de compra + IMT + Imposto de Selo + escritura + eventual reabilitação no ano 0). Insira a renda anual líquida (renda bruta menos IMI, eventualmente AIMI, condomínio, gestão, reserva de manutenção, IRS sobre rendas em regime autónomo a 25% ou englobamento e perdas por vagantes). No ano de venda, some o valor líquido (preço minus comissão de mediadora e mais-valia) à renda desse ano. Um imóvel core em Lisboa ou Porto fica tipicamente em TIR de 5-8%; um projecto value-add com reabilitação em ARU pode chegar a 10-15%. Compare com o WACC ou retorno exigido após ajustamento fiscal.

Como escolho a hurdle rate para a minha PME?

Comece pelo WACC -- custo médio ponderado de capital alheio (taxa bancária após IRC) e capital próprio (retorno exigido pelos sócios). Para uma PME portuguesa típica, o WACC situa-se entre 6-10%. Some um prémio de risco de 2-5 pontos percentuais para projectos mais arriscados do que a actividade habitual (novos mercados, tecnologia nova) e subtraia 1-2 pontos para projectos de poupança operacional de baixo risco. Para investimentos com apoio do IAPMEI, PRR ou Portugal 2030, abata o subsídio do Investimento Inicial antes de calcular a TIR.

A TIR pode ser negativa?

Sim. Uma TIR negativa significa que os fluxos de entrada não cobrem o investimento inicial, mesmo a taxa de desconto zero -- o projecto perde euros em termos nominais. A calculadora pode devolver taxas tão baixas como -99%. Com TIR negativa, o projecto destrói valor a qualquer custo de capital positivo e deve ser rejeitado, salvo razões estratégicas não financeiras quantificáveis.

A TIR é o mesmo que o CAGR?

Apenas no caso especial de dois fluxos: um a sair em t = 0 e um a entrar em t = n. Então TIR = CAGR = (Valor Final / Valor Inicial)^(1/n) - 1. Assim que acrescenta fluxos intermédios, a TIR diverge do CAGR porque pondera cada cash-flow pelo seu factor de desconto. O CAGR é apropriado para uma posição buy-and-hold com uma única venda; a TIR é a métrica correcta para qualquer série plurianual entre essas duas pontas.

Como é que a calculadora resolve a TIR?

Por bisecção. O solver parte de um intervalo de -99% a +1000%, avalia o VAL no ponto médio, estreita o intervalo para o lado onde o VAL muda de sinal e itera até 1000 vezes até o VAL ficar dentro de uma tolerância de 0,0001. A bisecção é mais lenta do que o método de Newton-Raphson, mas robusta -- converge sempre que existe uma TIR real no intervalo, independentemente da forma da curva do VAL.

Que apoios do PRR e Portugal 2030 aumentam a TIR dos meus investimentos?

O PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e o Portugal 2030 oferecem combinações de subsídio reembolsável e a fundo perdido para digitalização, transição climática, capacitação, inovação e reindustrialização. Em algumas tipologias, a componente a fundo perdido chega a 30-60% do investimento elegível, elevando a TIR efectiva em 3-8 pontos. O IAPMEI gere os principais avisos para PME; consulte o Balcão dos Fundos para elegibilidades actuais. Trate o subsídio a fundo perdido como redução directa do Investimento Inicial; o reembolsável modele como fluxo de saída no ano de pagamento das prestações.

Fontes

Metodologia

Esta calculadora resolve a equação implícita da TIR 0 = Σ CF_t / (1+TIR)^t (t = 0..n) para a taxa de desconto que conduz o VAL a zero. CF_0 é o simétrico do Investimento Inicial introduzido pelo utilizador; CF_t para t ≥ 1 é o fluxo de caixa anual indicado (positivo para entradas, negativo para saídas adicionais). O solver verifica primeiro pelo menos uma mudança de sinal na série -- condição necessária para uma TIR real -- e aplica depois bisecção entre -99% e +1000% até o VAL ficar dentro de uma tolerância de 0,0001 ou o intervalo coincidir, limitado a 1000 iterações. A Decisão compara a TIR com a Taxa Mínima de Atractividade indicada: Aceitar se a TIR superar a hurdle, Rejeitar se ficar abaixo, Marginal se ambas se aproximarem dentro de 0,01%. Em projectos com múltiplas mudanças de sinal, a TIR apresentada é uma raiz de uma equação que pode ter várias; complemente o resultado com a verificação do VAL ao seu custo de capital ou calcule a TIRM para obter uma taxa única e defensável. Para investidores portugueses, ajuste a série de cash-flows ao enquadramento fiscal aplicável: IRS sobre rendas (regime autónomo a 25% ou englobamento), IRC (21% e derramas) para empresas, IMT e Imposto de Selo no ano 0 para imóveis, IMI e AIMI nos anos correntes, e considere apoios do PRR, Portugal 2030 ou SIFIDE II como redução directa do Investimento Inicial.

Dicas Pro

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