Qual é a diferença entre juros simples e juros compostos?
Os juros simples são calculados apenas sobre o capital inicial, pelo que o montante de juros por período é constante: I = P × r × t. Os juros compostos são calculados sobre o capital mais todos os juros já vencidos, pelo que o montante cresce em cada período e o total segue A = P(1 + r/n)^(nt). Em prazos curtos os resultados são próximos; em prazos de décadas os compostos ultrapassam largamente os simples. Para o segundo caso utilize a Calculadora de Juros Compostos.
Quais são as taxas de juros legais em Portugal?
Portugal aplica duas taxas de juros moratórios distintas, ambas publicadas em portaria no Diário da República (dre.pt). A taxa de juros civis (art. 559.º do Código Civil), aplicável a particulares e dívidas civis, situa-se nos 4 % desde 2003. Os juros comerciais (Decreto-Lei n.º 62/2013, que transpõe a Diretiva 2011/7/UE), aplicáveis entre empresas, correspondem à taxa de juro de referência do BCE acrescida de 8 pontos percentuais — atualizada semestralmente em janeiro e julho pelo Banco de Portugal e historicamente entre 8 % e 13 %. Ambas se calculam em regime simples, salvo decisão judicial em contrário.
As contas-poupança e os depósitos a prazo em Portugal usam juros simples ou compostos?
Quase sempre depende do produto. As contas-poupança e os depósitos com capitalização creditam os juros no saldo, que passa a render juros sobre juros — regime composto. Depósitos a prazo com pagamento periódico para a conta à ordem (sem capitalização) comportam-se como juros simples em cada período de pagamento. O Banco de Portugal disponibiliza no Portal do Cliente Bancário a TANB e a TANL (taxa anual nominal bruta e líquida) que permitem a comparação. Os rendimentos são tributados em IRS à taxa liberatória de 28 % (15 % na Madeira/Açores em alguns casos), retidos na fonte pelo banco.
Como são tributados os juros em Portugal?
Os juros de depósitos, certificados de aforro, certificados do Tesouro, BT e obrigações são considerados rendimentos de capitais (categoria E do IRS) e tributados à taxa liberatória de 28 % (residentes em Portugal continental), retida na fonte. É possível optar pelo englobamento na declaração anual se for fiscalmente mais vantajoso. Os juros moratórios pagos a particulares podem qualificar-se como categoria E ou indemnização não tributada, consoante a natureza — consulte as instruções de preenchimento do anexo E do IRS no Portal das Finanças (portaldasfinancas.gov.pt) ou um contabilista certificado.
Qual é o equivalente em juros simples da Regra dos 72?
A Regra dos 72 (anos para duplicar ≈ 72 ÷ taxa) aplica-se a juros compostos. Para juros simples existe uma relação exata: o capital duplica quando o total de juros iguala o capital, ou seja, rt = 1, o que dá anos para duplicar = 100 / taxa (em percentagem). A 5 % simples, duplicar leva 20 anos; a 8 %, leva 12,5 anos. Em regime composto, 8 % duplica em cerca de 9 anos — a diferença é o custo de aplicar juros simples no longo prazo.
Como converto meses ou dias em anos para o campo Prazo?
Meses: divida por 12, pelo que 6 meses = 0,5; 9 meses = 0,75; 18 meses = 1,5. Dias: divida por 365 para juros exatos (padrão para consumidores e juros legais em Portugal) ou por 360 para convenções de mercado monetário e alguns créditos comerciais. Exemplo: 73 dias exatos = 73/365 = 0,2 anos. Confirme sempre a convenção de contagem de dias no seu contrato antes de calcular sobre montantes elevados.
Qual é a diferença entre juros simples e juros add-on?
Os juros simples verdadeiros são calculados diariamente sobre o capital em dívida, pelo que cada amortização reduz a base sobre a qual incidem juros. Os juros add-on calculam todos os juros antecipadamente sobre o capital inicial (P × r × t), somam-nos ao capital e dividem o total em prestações iguais. A taxa anunciada é a mesma, mas a TAEG efetiva de um crédito add-on é quase o dobro da taxa simples, porque continua a pagar juros sobre capital já amortizado. O Banco de Portugal e a Lei do Crédito ao Consumo (DL n.º 133/2009) exigem a apresentação da TAEG — compare sempre TAEG com TAEG.
A taxa de juro ou os juros podem ser negativos?
A calculadora exige uma taxa não negativa e capital e prazo positivos. Na realidade, obrigações com rendimento negativo (e taxas oficiais do BCE entre 2014 e 2022) chegaram a existir, mas estão geralmente estruturadas como preço de aquisição com prémio em vez de uma taxa literalmente negativa numa fórmula de juros simples. O rendimento real (após inflação) pode ser negativo se a taxa nominal for inferior à inflação — num depósito a 2 % com inflação de 3 %, perde cerca de 1 % de poder de compra por ano, mesmo com juros nominais positivos.
Por que motivo o valor dos juros calculado pelo meu banco difere ligeiramente desta calculadora?
As causas mais frequentes são: convenção de contagem de dias (365 vs 360), arredondamentos internos do sistema bancário, tratamento de anos bissextos, comissões incluídas no saldo e timing dos pagamentos a meio do período. Num contrato transparente de juros simples a diferença é normalmente inferior a 1 %; se for superior, peça um mapa de amortização ou de acumulação e verifique se o valor apresentado são apenas juros ou a TAEG completa (que inclui comissões, imposto do selo e seguros, conforme exigido pelo Banco de Portugal).