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Calculadora de Transferência de Crédito Habitação

Compare o seu crédito habitação atual com uma proposta de transferência ou renegociação para perceber se mudar de banco compensa. Calcule a prestação mensal, os juros totais e o ponto de equilíbrio.

Fórmulas de Transferência

Prestação Mensal

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Ponto de Equilíbrio

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Transferência de crédito habitação em Portugal: como funciona

Em Portugal, transferir o crédito habitação para outro banco é um direito legalmente protegido e relativamente simples. Desde 2008, a Lei n.º 51/2007 (atualizada pelo Decreto-Lei n.º 74-A/2017) eliminou a possibilidade de o banco antigo cobrar comissões pelo processo de transferência em si, e simplificou os procedimentos para que o novo banco assuma a hipoteca sem necessidade de cancelar e constituir nova escritura no mesmo dia.

Há duas vias principais: a transferência propriamente dita, em que o novo banco assume o crédito e liquida o anterior, e a renegociação no mesmo banco, em que se discutem novas condições (spread, prazo, modalidade de taxa) sem mudar de instituição. A primeira tende a obter melhores spreads quando há concorrência forte entre bancos; a segunda evita custos de avaliação e algum trabalho administrativo, mas raramente atinge os melhores preços do mercado.

Comissão de amortização antecipada: o principal custo

O banco antigo é obrigado a aceitar a transferência, mas pode cobrar uma comissão de amortização antecipada parcial ou total, regulada pelo Decreto-Lei n.º 74-A/2017. Para créditos a taxa variável (Euribor + spread), a comissão máxima é de 0,5% sobre o capital em dívida transferido. Para créditos a taxa fixa, sobe para 2% sobre o capital em dívida — um valor que pode pesar significativamente em capitais elevados ou em períodos iniciais do contrato.

Esta comissão está sujeita a IVA à taxa em vigor (atualmente 23%), pelo que o custo efetivo é ligeiramente superior ao valor calculado sobre o capital. Antes de iniciar uma transferência, peça ao banco atual a simulação por escrito da comissão de amortização antecipada, com base no capital em dívida à data prevista da liquidação — esse valor entra diretamente no campo Custos de Transferência da calculadora.

Custos de avaliação, registo e imposto do selo

O novo banco vai exigir uma nova avaliação do imóvel (entre €200 e €400, dependendo do tipo de habitação e da localização) e fará despesas com registo predial e formalização da transferência da hipoteca. Embora a escritura tradicional já não seja obrigatória — o processo pode ser feito por documento particular autenticado nos balcões do próprio banco — continuam a aplicar-se emolumentos do registo predial e taxas do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN).

Soma-se ainda o imposto do selo sobre a utilização do crédito (0,6% ao ano sobre o capital em dívida, cobrado mensalmente na prestação) e o imposto do selo sobre o contrato de mútuo (0,6% sobre o valor do empréstimo na constituição), embora este último não seja, em regra, cobrado novamente quando se trata apenas de transferência. Confirme com o banco e consulte a Autoridade Tributária para o caso específico. Os custos administrativos totais (avaliação + registos + comissões do novo banco) raramente excedem €600 a €1.000, valor muito inferior ao das geografias norte-americanas ou holandesas.

Spread, indexante e TAEG: o que comparar nas propostas

Em Portugal, a maioria dos créditos habitação tem taxa variável indexada à Euribor a 6 ou 12 meses, somada a um spread definido pelo banco. O spread é o principal indicador da competitividade da proposta: spreads abaixo de 1% são considerados bons em 2026, embora dependam do rácio loan-to-value (LTV) e da contratação de produtos cruzados (conta-ordenado, cartão de crédito, seguros).

A TAEG (Taxa Anual Efetiva Global) é o número mais fiável para comparar propostas, porque inclui spread, indexante atual, comissões, impostos e seguros associados. O Banco de Portugal e a DECO PROteste recomendam comparar sempre TAEG e MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), não apenas o spread anunciado. Use o spread + Euribor para preencher a Nova TAN na calculadora, mas tome a TAEG como referência final ao decidir.

Produtos cruzados: spread em troca de seguros e contas

Quase todos os bancos portugueses oferecem reduções de spread (entre 0,1 e 0,5 pontos percentuais) em troca da subscrição de produtos cruzados: domiciliação do ordenado, cartão de crédito ativo, seguro de vida e seguro multirriscos do banco, PPR, ou volume mínimo de cartões. O Banco de Portugal exige que estas condições sejam transparentes na FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia) entregue antes da contratação.

Cuidado: um spread atrativo pode ser anulado pelos custos anuais dos seguros do banco, que costumam ser 30% a 60% mais caros do que seguros equivalentes contratados de forma autónoma. A DECO PROTeste publica anualmente comparações de seguros de vida e multirriscos. Antes de assinar, calcule o custo total anual (prestação × 12 + seguros + comissões) das duas hipóteses: com produtos cruzados e sem.

Ponto de equilíbrio: quanto tempo para recuperar os custos

O ponto de equilíbrio é o mês em que a poupança mensal acumulada iguala os custos totais da transferência. Cálculo: custos totais ÷ poupança mensal = equilíbrio em meses. Com €1.500 de custos (avaliação + registos + comissão de amortização antecipada para crédito a taxa variável de €100.000) e uma poupança de €80 por mês, o equilíbrio é de cerca de 19 meses — a partir do mês 20, a transferência começa a gerar poupança líquida.

Em Portugal, dado que os custos administrativos são mais baixos do que noutros mercados, o ponto de equilíbrio típico situa-se entre 12 e 24 meses para créditos a taxa variável com poupança razoável. Para créditos a taxa fixa, em que a comissão de 2% pesa muito mais, o equilíbrio pode estender-se para 36 a 60 meses — nestes casos, vale a pena esperar que termine o período de taxa fixa antes de transferir.

Como usar esta calculadora de transferência

  1. Introduza o Capital em Dívida Atual (€) — o valor que ainda deve, conforme o último extrato do banco ou o mapa de responsabilidades de crédito disponível no Banco de Portugal.
  2. Indique a TAN Atual (%) — soma de Euribor + spread atualmente em vigor no seu contrato — e os Meses Restantes do Crédito Atual, conforme o plano financeiro do contrato.
  3. Introduza a Nova TAN (%) proposta pelo novo banco (verifique se inclui o indexante Euribor atual + spread) e o Prazo do Novo Crédito (meses) — em geral mantém-se o prazo do crédito original ou ajusta-se.
  4. Some os Custos de Transferência (€): comissão de amortização antecipada (0,5% para taxa variável, 2% para taxa fixa, sobre o capital em dívida) + IVA, mais avaliação do imóvel (€200-€400), registos prediais e eventual comissão de processo do novo banco.
  5. Clique em Calcular Transferência para ver a nova prestação, a poupança mensal, o ponto de equilíbrio em meses e a diferença total ao longo da vida do crédito. Compare sempre a TAEG das propostas e use a FINE entregue pelos bancos como documento de referência.

Exemplos

Transferência clássica a taxa variável: spread 1,5% para 0,8%

Uma família em Lisboa tem €150.000 de capital em dívida num crédito habitação a taxa variável Euribor 6M + spread 1,5%, com 25 anos restantes. A Euribor 6M atual é 2,7%, pelo que a TAN é 4,2%. Recebem uma proposta de outro banco com spread 0,8% (TAN 3,5%) para o mesmo prazo. Custos: comissão de amortização antecipada 0,5% sobre €150.000 = €750 + 23% IVA = €923, mais €350 de avaliação e €250 de registos = €1.523 totais.

ResultadoPrestação atual cerca de €809/mês. Nova prestação cerca de €751/mês. Poupança mensal cerca de €58. Com €1.523 de custos, o ponto de equilíbrio fica em cerca de 26 meses — pouco mais de 2 anos. Ao longo dos 25 anos restantes, a poupança total líquida ronda os €15.900, mais do que justificando os custos iniciais.

A calculadora aplica M = P × r(1+r)^n / ((1+r)^n − 1) duas vezes: com r = 0,042/12 e n = 300 para a situação atual, e com r = 0,035/12 e n = 300 para a nova. A diferença de prestação mensal (€58) dividida pelos €1.523 de custos dá o ponto de equilíbrio em meses. Nota importante para Portugal: como o spread está agora abaixo de 1%, a família deve confirmar que mantém este spread bonificado mesmo sem subscrever todos os produtos cruzados oferecidos pelo novo banco — peça simulação com e sem produtos cruzados na FINE.

Transferência de taxa fixa: pesar a comissão de 2%

Um casal no Porto tem €200.000 de capital em dívida num crédito a taxa fixa de 4,5% durante 10 anos, dos quais ainda restam 7 anos do período fixo (e 23 anos totais do crédito). A Euribor caiu e há propostas a taxa variável Euribor 6M (2,7%) + spread 1% = 3,7%. Comissão de amortização antecipada para taxa fixa: 2% sobre €200.000 = €4.000 + 23% IVA = €4.920, mais €400 de avaliação e €280 de registos = €5.600 totais.

ResultadoPrestação atual cerca de €1.111/mês. Nova prestação cerca de €1.024/mês. Poupança mensal cerca de €87. Com €5.600 de custos, o ponto de equilíbrio sobe para cerca de 64 meses — mais de 5 anos. Em 23 anos a poupança total ainda é positiva (cerca de €18.400 líquidos), mas o risco de subida da Euribor durante esses 23 anos pode anular o benefício.

Para créditos a taxa fixa, a comissão de 2% é o fator decisivo. Vale a pena esperar pelo fim do período de taxa fixa (em 7 anos), quando a comissão cai para 0,5% e o crédito passa naturalmente a taxa variável. Em alternativa, negociar com o banco atual a passagem antecipada a taxa variável (renegociação) costuma evitar a comissão — ainda que com spread menos competitivo. O Banco de Portugal e a DECO PROTeste recomendam sempre obter pelo menos três propostas (FINE comparáveis) antes de avançar com a transferência de um crédito a taxa fixa.

Renegociação no mesmo banco: redução de spread sem custos

Uma proprietária em Coimbra tem €80.000 de capital em dívida num crédito a taxa variável com spread 1,8%, contratado há 12 anos quando o LTV era de 80%. O imóvel valorizou e o capital em dívida representa agora apenas 40% do valor atual. Apresenta uma proposta concorrente ao banco atual e negocia redução de spread para 1,1% (Euribor 6M 2,7% + 1,1% = 3,8%, contra os atuais 4,5%) sem mudar de banco, sem custos de avaliação e sem comissão de amortização antecipada.

ResultadoPrestação atual cerca de €518/mês. Nova prestação cerca de €486/mês. Poupança mensal cerca de €32. Sem custos, o ponto de equilíbrio é zero — a poupança começa imediatamente. Ao longo dos 18 anos restantes, a poupança total ronda os €6.900, todos líquidos.

A renegociação é frequentemente subvalorizada porque o ganho mensal parece pequeno, mas a ausência total de custos torna-a quase sempre vantajosa quando o banco aceita reduzir o spread. A estratégia que funciona: obter propostas formais de outros bancos (FINE), apresentá-las ao banco atual e pedir igualação ou aproximação. O LTV baixo (40%) é um argumento forte porque reduz o risco para o banco. Se o banco recusar igualar, vale a pena avançar com a transferência efetiva, pesando os custos administrativos.

Como funciona

A calculadora calcula dois planos de amortização: o seu crédito atual a partir de hoje e a proposta nova. Ambos usam M = P × r(1+r)^n / ((1+r)^n − 1), onde P é o capital em dívida, r é a taxa mensal (TAN anual ÷ 12) e n é o número de meses restantes ou do novo prazo. A diferença entre as duas prestações é a sua poupança mensal.

O ponto de equilíbrio é a métrica mais clara. Custos de transferência ÷ poupança mensal dá o número de meses que precisa de manter o novo crédito para recuperar o que gastou em comissões, avaliação e registos. Só a partir desse mês a transferência começa a gerar poupança líquida.

A visão de longo prazo adiciona duas componentes. Custo Total Atual é a prestação atual × meses restantes. Novo Custo Total é a nova prestação × novo prazo + custos de transferência. A diferença é a Poupança Total (após custos) — negativa se a transferência sair mais cara ao longo da vida do crédito, mesmo quando a prestação mensal é mais baixa.

A calculadora não modela: alterações na Euribor ao longo do tempo (assume-se a TAN atual constante para efeitos comparativos), bonificações condicionadas a produtos cruzados (que devem ser confirmadas na FINE), o imposto do selo mensal sobre a utilização do crédito (cobrado em ambas as situações), nem custos de cancelamento de seguros antigos. Para uma análise completa, peça FINE ao novo banco e simulação detalhada de comissão de amortização antecipada ao banco atual.

Quando usar esta calculadora

  • O seu spread está acima de 1,2% e o LTV baixou. Se o imóvel valorizou e o capital em dívida representa hoje menos de 60% do valor de mercado, está em posição para negociar spread abaixo de 1%. Use a calculadora para quantificar a poupança e justificar a transferência ou renegociação.
  • Comparar propostas de transferência entre bancos. Mantenha o capital em dívida e o prazo iguais, varie apenas a Nova TAN e os Custos de Transferência conforme cada FINE. Veja qual combinação dá o ponto de equilíbrio mais curto e o menor custo total.
  • Decidir entre renegociar no mesmo banco ou transferir. Crie dois cenários: um com a Nova TAN proposta pelo banco atual (renegociação, custos zero) e outro com a TAN do banco concorrente (custos completos de transferência). Compare a poupança total dos dois ao longo do prazo restante.
  • Avaliar transferência durante período de taxa fixa. A comissão de 2% para amortização antecipada de taxa fixa pode anular grande parte da poupança. Introduza o valor exato pedido pelo banco atual nos Custos de Transferência e veja se o ponto de equilíbrio cabe dentro do tempo que falta até ao fim do período fixo.
  • Testar uma redução de prazo. Reduzir o prazo de 360 para 240 meses pode aumentar a prestação mas reduzir drasticamente os juros totais. Use a calculadora para ver a Poupança Total (após custos) e perceber se vale a pena, sobretudo quando combinado com uma TAN mais baixa.
  • Planeamento de venda do imóvel a médio prazo. Se planeia vender em 3-4 anos, o ponto de equilíbrio tem de caber confortavelmente dentro desse prazo. A calculadora mostra-lhe rapidamente se a transferência ainda compensa para um horizonte temporal curto.

Erros comuns

  • ErroComparar apenas a TAN e ignorar a TAEG.
    SoluçãoA TAN não inclui comissões, seguros nem o imposto do selo mensal. A TAEG sim. Uma TAN de 3,2% pode parecer melhor do que 3,4%, mas se a primeira exigir seguros de vida do banco 50% mais caros, a TAEG real pode ser pior. Compare sempre a TAEG e o MTIC nas propostas.
  • ErroEsquecer o IVA sobre a comissão de amortização antecipada.
    SoluçãoA comissão de 0,5% (taxa variável) ou 2% (taxa fixa) está sujeita a IVA à taxa de 23%. Numa comissão base de €1.000, o custo real é €1.230. Inclua sempre o IVA no campo Custos de Transferência para um ponto de equilíbrio realista.
  • ErroAceitar produtos cruzados sem calcular o custo total.
    SoluçãoBonificações de spread em troca de seguros do banco podem custar mais do que poupam. Peça simulação com e sem produtos cruzados na FINE e compare o custo anual total (prestação × 12 + seguros). A DECO PROTeste publica regularmente comparações de seguros de habitação e vida.
  • ErroNão pedir a simulação escrita da comissão de amortização antecipada.
    SoluçãoO banco atual é obrigado a fornecer este valor por escrito a pedido do cliente, calculado sobre o capital em dívida à data prevista de liquidação. Sem esta simulação não consegue calcular o ponto de equilíbrio com precisão — e pode receber surpresas desagradáveis a meio do processo.
  • ErroTransferir crédito a taxa fixa antes de avaliar a renegociação interna.
    SoluçãoA comissão de 2% sobre o capital em dívida durante o período fixo é o maior custo de toda a operação. Antes de avançar, peça ao banco atual a passagem antecipada a taxa variável (renegociação) — costuma ser concedida sem comissão e com um spread aceitável, evitando milhares de euros em comissão de amortização antecipada.
  • ErroUsar o capital original do empréstimo em vez do capital em dívida atual.
    SoluçãoAnos de pagamentos reduziram o que ainda deve. Use o valor exato do capital em dívida do último extrato ou do mapa de responsabilidades disponível no portal do Banco de Portugal. Usar o capital original sobrestima a nova prestação e o ponto de equilíbrio.

Perguntas frequentes

Posso transferir o crédito habitação para outro banco a qualquer momento?

Sim. Desde 2008, e reforçado pelo Decreto-Lei n.º 74-A/2017, transferir o crédito habitação é um direito do consumidor que o banco antigo não pode recusar. Pode fazê-lo em qualquer momento durante a vida do crédito, mas terá de pagar a comissão de amortização antecipada legal: 0,5% sobre o capital em dívida para créditos a taxa variável e 2% para créditos a taxa fixa, mais IVA a 23%. O banco antigo não pode cobrar comissões adicionais relativas ao processo de transferência em si.

Quanto custa transferir o crédito habitação em Portugal?

Os custos totais variam entre €600 e €5.000, dependendo sobretudo do tipo de taxa do crédito atual e do capital em dívida. Componentes principais: comissão de amortização antecipada (0,5% ou 2% × capital em dívida × 1,23 com IVA), avaliação do imóvel (€200-€400), registos prediais e formalização (€200-€400), e eventual comissão de processo do novo banco (geralmente €0-€300, muitas vezes ofertada como argumento comercial). Peça FINE ao novo banco e simulação escrita da comissão ao banco atual antes de decidir.

Qual é a diferença entre transferir e renegociar o crédito habitação?

Na transferência, muda de banco: o novo banco assume o crédito, liquida o antigo e a hipoteca passa para a nova instituição. Tem custos de comissão de amortização antecipada, avaliação e registos. Na renegociação, fica no mesmo banco e renegoceia condições (spread, prazo, modalidade de taxa) sem custos administrativos. A renegociação evita custos mas raramente atinge os spreads mais competitivos do mercado; a transferência pode obter spreads bonificados mas implica custos iniciais. A estratégia mais eficaz costuma ser obter uma proposta concorrente e usá-la como alavanca de renegociação no banco atual.

Vale a pena transferir um crédito a taxa fixa?

Geralmente não, durante o período de taxa fixa. A comissão de amortização antecipada de 2% sobre o capital em dívida (mais IVA) é muito pesada — num crédito de €200.000 representa €4.920. Esta comissão raramente compensa, mesmo com uma TAN substancialmente mais baixa. A estratégia recomendada pela DECO PROTeste é esperar pelo fim do período de taxa fixa, altura em que a comissão cai para 0,5% e o crédito passa naturalmente a taxa variável, e só então avaliar a transferência. Em alternativa, negociar com o banco atual a passagem antecipada a taxa variável costuma evitar a comissão integral.

Como é calculada a comissão de amortização antecipada?

A comissão é calculada sobre o capital em dívida à data da liquidação antecipada, à taxa legal de 0,5% para créditos a taxa variável (Euribor + spread) ou 2% para créditos a taxa fixa, conforme o Decreto-Lei n.º 74-A/2017. Sobre este valor aplica-se IVA à taxa de 23%. Exemplo: capital em dívida €100.000, taxa variável, comissão = €100.000 × 0,5% = €500 + €115 IVA = €615. O banco atual é obrigado a fornecer simulação escrita do valor exato a pedido do cliente. Para amortizações parciais (não transferência completa), a comissão incide apenas sobre o capital amortizado.

O ponto de equilíbrio é mesmo o número mais importante?

É o mais importante para decidir se a transferência compensa para o seu horizonte de permanência. Cálculo: custos totais ÷ poupança mensal = ponto de equilíbrio em meses. Em Portugal, com custos administrativos baixos, o equilíbrio típico para créditos a taxa variável fica entre 12 e 24 meses; para créditos a taxa fixa pode ir até 36-60 meses. Se planeia vender o imóvel ou liquidar o crédito antes do ponto de equilíbrio, a transferência custa-lhe dinheiro líquido. Combine o ponto de equilíbrio com a Poupança Total (após custos) para uma decisão completa.

O que é a FINE e por que é importante?

A FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia) é um documento padronizado pelo Banco de Portugal que todos os bancos da União Europeia são obrigados a entregar antes da contratação ou transferência de crédito habitação. Apresenta TAN, TAEG, MTIC, prestação mensal, comissões, seguros exigidos e condições de bonificação de forma estruturada e comparável entre bancos. Use a FINE como documento de referência: pode comparar diretamente propostas de bancos diferentes lado a lado, e tem direito a um prazo mínimo de reflexão antes de assinar qualquer contrato.

Quanto tempo demora o processo de transferência?

Normalmente entre 4 e 8 semanas, desde a primeira simulação até à formalização. Etapas típicas: 1 semana para obter FINE e pré-aprovação, 1-2 semanas para avaliação do imóvel pelo novo banco, 2-3 semanas para análise final e aprovação, e 1-2 semanas para a formalização (documento particular autenticado ou escritura) e liquidação do crédito antigo. Pode acelerar reunindo toda a documentação cedo (IRS recentes, comprovativos de rendimento, certidão permanente do imóvel) e pedindo simulação da comissão ao banco atual logo no início.

Vou perder os benefícios fiscais ao transferir o crédito?

Os benefícios fiscais associados ao crédito habitação para habitação própria e permanente (artigo 78.º-E do Código do IRS, ainda aplicável para contratos anteriores a 2011) mantêm-se na transferência, desde que o crédito continue afeto à mesma habitação própria e permanente e que não se alterem condições essenciais (montante, finalidade). Os juros pagos no novo crédito continuam a ser dedutíveis nos mesmos termos. Confirme com a Autoridade Tributária ou com um contabilista certificado, sobretudo se o seu contrato é anterior a 2011 (regime mais favorável).

Posso renegociar o crédito mais do que uma vez?

Sim, não há limite legal ao número de renegociações ou transferências. Cada uma envolve custos (no caso da transferência) ou simples acordo escrito (no caso da renegociação). Na prática, faz sentido renegociar sempre que: (1) o seu LTV baixe significativamente devido a amortizações ou valorização do imóvel, (2) a Euribor mude bastante e o seu spread fique desalinhado do mercado, ou (3) os bancos lancem novas campanhas com spreads agressivos. A DECO PROTeste sugere rever as condições do crédito habitação a cada 2-3 anos.

Fontes

Metodologia

A calculadora calcula dois planos de amortização segundo M = P × r(1+r)^n / ((1+r)^n − 1), onde P é o capital em dívida, r é a taxa mensal (TAN anual ÷ 12) e n é o número de meses. A prestação atual resulta do capital em dívida atual, da TAN atual e dos meses restantes; a nova prestação resulta do mesmo capital, da nova TAN e do novo prazo. A Poupança Mensal é a diferença entre as duas. O Ponto de Equilíbrio é Custos de Transferência ÷ Poupança Mensal. A Poupança Total (após custos) compara os fluxos de caixa cumulativos incluindo os Custos de Transferência únicos ao longo do prazo restante completo de cada crédito. Para o contexto português, os Custos de Transferência devem incluir: comissão de amortização antecipada (0,5% para taxa variável ou 2% para taxa fixa sobre o capital em dívida) com IVA a 23%, avaliação do imóvel (€200-€400), registos prediais e formalização, e eventual comissão de processo do novo banco. A calculadora não modela variações futuras da Euribor, bonificações condicionadas a produtos cruzados (que devem ser verificadas na FINE), nem o imposto do selo mensal sobre a utilização do crédito. Para uma análise completa, peça FINE ao novo banco e simulação escrita da comissão de amortização antecipada ao banco atual.

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