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Calculadora de Valor Contabilístico por Acção

Calcule o valor contabilístico por acção (VCPA) de uma empresa cotada

Fórmulas de VCPA

VCPA Básico
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VCPA Tangível
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Crescimento do VCPA
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Compreender o Valor Contabilístico por Acção (VCPA)

O valor contabilístico por acção (VCPA) representa o capital próprio disponível para os accionistas ordinários, dividido pelo número de acções em circulação. É o valor contabilístico que cada acção representaria se a sociedade liquidasse os seus activos e pagasse todos os passivos. Funciona, na prática, como um valor mínimo de referência por acção.

O VCPA obtém-se directamente do balanço: capital próprio total menos capital preferencial, a dividir pelo número de acções ordinárias. Numa empresa cotada no PSI-20 com 500 milhões de euros de capital próprio e 100 milhões de acções, o VCPA é de 5,00 €. A comparação com a cotação na Euronext Lisbon dá o rácio P/B (price-to-book).

Um VCPA crescente ao longo do tempo indica que a empresa está a criar valor para os accionistas através de resultados retidos. Para emitentes admitidos à negociação em mercado regulamentado em Portugal, o capital próprio é apurado segundo as IFRS adoptadas pela União Europeia (Regulamento (CE) 1606/2002) e divulgado nos relatórios anuais comunicados à CMVM.

Componentes do VCPA

💼

Capital Ordinário

Parcela do capital próprio atribuível aos detentores de acções ordinárias.

📊

Resultados Retidos

Lucros acumulados não distribuídos como dividendos. Principal motor de crescimento do VCPA.

📉

Acções Próprias

Acções readquiridas pela emitente. Reduzem o capital próprio mas também as acções em circulação.

🏷️

Intangíveis

Goodwill, patentes, marcas. Excluídos do VCPA tangível.

Análise do VCPA

CenárioCotação vs. VCPAInterpretaçãoAcção
Valor ProfundoCotação < 0,5x VCPAGrande descontoInvestigar a causa
ValorCotação < VCPAAbaixo do valor contabilísticoPossível oportunidade
JustoCotação ≈ VCPAEm linha com o capital próprioDepende do sector
PrémioCotação > 2x VCPAPrémio elevadoCrescimento esperado
Crescimento ElevadoCotação > 5x VCPAPrémio muito altoValor intangível relevante

Dicas de Análise do VCPA

📈

Acompanhar o Crescimento do VCPA

Crescimento anual sustentado de 8% a 15% sinaliza forte criação de valor. Compare com pares cotados em Euronext Lisbon e em outras praças europeias.

🔍

Usar o VCPA Tangível

Em empresas com historial de aquisições, o VCPA tangível exclui goodwill potencialmente sobreavaliado.

📊

Cruzar com o ROE

Crescimento do VCPA ≈ ROE × (1 − rácio de distribuição de dividendos). Um ROE alto e retenção elevada empurram o VCPA para cima.

⚠️

Cuidado com a Diluição

Aumentos de capital e emissões de novas acções podem diluir o VCPA mesmo quando o capital próprio cresce.

Exemplos

Básico: banco português com 1.000 M€ de capital próprio e sem preferenciais

Um banco comercial admitido à negociação no PSI-20 reporta no relatório e contas anual (IFRS, comunicado à CMVM) 1.000.000.000 € de capital próprio total, 50.000.000 € de instrumentos de capital preferencial, intangíveis irrelevantes e 100.000.000 de acções ordinárias em circulação no final do exercício.

ResultadoCapital ordinário = 1.000.000.000 − 50.000.000 = 950.000.000 €. VCPA = 950.000.000 / 100.000.000 = 9,50 € por acção. Com a cotação a 11,40 € na Euronext Lisbon, o rácio P/B é de 1,20x.

Bancos e seguradoras são o caso típico para o VCPA: a maioria dos activos e passivos é constituída por instrumentos financeiros mensurados a justo valor ou a custo amortizado, próximos do valor de mercado. Um P/B perto de 1,0x sugere que o mercado valoriza o banco em linha com o capital próprio contabilístico — comportamento habitual em bancos regionais com ROE de um dígito médio.

Intermédio: grupo industrial com goodwill que absorve o capital próprio

Um grupo industrial cotado em Euronext Lisbon reporta 8.000.000.000 € de capital próprio total, sem acções preferenciais, 6.500.000.000 € de goodwill e outros intangíveis acumulados em aquisições anteriores, e 400.000.000 de acções em circulação.

ResultadoVCPA básico = 8.000.000.000 / 400.000.000 = 20,00 €. VCPA tangível = (8.000.000.000 − 6.500.000.000) / 400.000.000 = 3,75 €. Com a cotação a 60 €, o P/B é de 3,0x mas o preço sobre o capital tangível chega aos 16x.

Quando o adquirente paga acima do justo valor pelos activos líquidos da participada, o excedente fica registado como goodwill na concentração de actividades empresariais (IFRS 3). Esse goodwill é capital próprio contabilístico real, mas só mantém o seu valor enquanto as aquisições geram retornos adequados. Damodaran (NYU Stern) recomenda comparar VCPA e VCPA tangível em emitentes acquisitivos para perceber quanto do capital próprio depende de marca e goodwill em vez de activos tangíveis.

Caso limite: empresa tecnológica em que o VCPA é pouco informativo

Uma empresa europeia de software com forte crescimento reporta 400.000.000 € de capital próprio (depois de 1.200.000.000 € em recompras de acções acumuladas), sem preferenciais nem intangíveis materiais, e 80.000.000 de acções em circulação. A cotação está em 250 €.

ResultadoVCPA = 400.000.000 / 80.000.000 = 5,00 €. P/B = 250 / 5 = 50x.

Um P/B de 50x parece exagerado, mas em modelos asset-light o balanço capta muito pouco do valor económico: relações com clientes, código, marca e efeitos de rede são, em larga medida, gastos do exercício segundo as IFRS. No caso do software, o P/B é um sinal fraco — os analistas preferem múltiplos como EV/Receitas, EV/EBITDA e a regra dos 40.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre o VCPA e a cotação das acções?

O VCPA é uma medida contabilística histórica — o capital próprio residual por acção ordinária inscrito no balanço segundo as IFRS adoptadas pela UE (Regulamento (CE) 1606/2002). A cotação é prospectiva e reflecte expectativas de fluxos de caixa futuros, crescimento, força da marca e sentimento de mercado. O rácio entre os dois, o P/B, mede o prémio (ou desconto) que o mercado está disposto a pagar acima do capital próprio. Em emitentes em crescimento na Euronext Lisbon é comum negociar acima do VCPA; emitentes com capital deteriorado podem negociar abaixo.

Como interpretar o rácio P/B (price-to-book) em Portugal?

O P/B compara a cotação com o VCPA. Um P/B abaixo de 1,0x sinaliza que o mercado valoriza a empresa abaixo do capital próprio contabilístico — pode ser uma oportunidade de valor ou um aviso de imparidades futuras. Entre 1x e 3x é a faixa típica de empresas maduras; acima de 5x reflecte normalmente valor intangível que o balanço não capta. A base de dados de Damodaran (NYU Stern) publica medianas sectoriais de P/B usadas como referência por analistas do BPI, Caixa BI, JB Capital e Millennium investment banking.

Quando é que o VCPA é mais relevante para emitentes portugueses?

Em empresas cujos activos e passivos são mensurados próximos do justo valor: bancos, seguradoras, sociedades gestoras de participações financeiras e SIGI (Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária). Empréstimos, instrumentos financeiros e imóveis são mensurados segundo a IFRS 9 e a IAS 40, normas que aproximam o capital próprio do valor económico. Os analistas que cobrem o PSI-20 e o Euronext Lisbon Tech Leaders avaliam habitualmente bancos a múltiplos de capital próprio tangível (TBV).

Quando é que o VCPA dá um sinal fraco?

Em negócios asset-light em que o valor vem de marcas, software, efeitos de rede ou capital humano — SaaS, retalho de marca, farmacêutica, plataformas digitais. Segundo as IFRS, os intangíveis gerados internamente são, em larga medida, gastos do exercício (IAS 38), pelo que o balanço capta apenas uma fracção do valor económico. Nestes casos, o P/B pode chegar a 20x–50x e não dizer praticamente nada sobre avaliação: use EV/EBITDA, EV/Receitas ou DCF.

O que é o valor contabilístico tangível por acção (VCPAT)?

O VCPAT subtrai o goodwill e outros activos intangíveis ao capital próprio ordinário antes de dividir pelo número de acções: VCPAT=(Capital ProˊprioPreferenciaisIntangıˊveis)/Acc¸o˜es\text{VCPAT} = (\text{Capital Próprio} - \text{Preferenciais} - \text{Intangíveis}) / \text{Acções}. Despoja o capital próprio da componente que existe apenas por causa de aquisições passadas e aproxima-se daquilo que a empresa conseguiria obter numa liquidação peça a peça. Os analistas de banca dão particular atenção ao preço sobre capital tangível porque o capital regulatório CET1, definido pelo Banco de Portugal e pelo MUS do BCE, é também apurado líquido de goodwill.

Como é que as recompras de acções e os aumentos de capital afectam o VCPA?

As recompras (regulamento do Mercado de Acções da Euronext e comunicações à CMVM previstas no Código dos Valores Mobiliários) reduzem simultaneamente o capital próprio (saída de caixa) e o número de acções. Se forem feitas abaixo do VCPA, o VCPA das acções remanescentes sobe; se forem feitas acima, desce. Aumentos de capital com novas acções têm efeito inverso, podendo ser diluitivos se o preço de emissão for inferior ao VCPA. É uma alavanca de gestão que importa monitorizar nos relatórios trimestrais submetidos à CMVM.

Onde encontrar os dados para calcular o VCPA de uma empresa cotada portuguesa?

O capital próprio total, o capital preferencial e o goodwill aparecem no balanço consolidado do Relatório e Contas anual ou semestral, divulgado no Sistema de Difusão de Informação da CMVM (www.cmvm.pt) e no site Investor Relations da emitente. As acções em circulação no fim do período constam normalmente do anexo às demonstrações financeiras e dos comunicados de informação privilegiada (Regulamento (UE) 596/2014). Para emitentes na Euronext Lisbon, a ficha de cada acção em www.euronext.com indica também o número de acções admitidas à negociação.

Fontes

Dicas Pro

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