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Calculadora de Resultados por Acção (RPA / EPS)

Calcula o RPA para medir a rendibilidade da empresa por acção

Fórmulas do RPA

RPA Básico
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RPA Diluído
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Crescimento do RPA
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Compreender os Resultados por Acção (RPA / EPS)

Os Resultados por Acção (RPA), em inglês earnings per share (EPS), dividem o resultado líquido de uma empresa pelo número médio ponderado de acções em circulação no período. É a medida-padrão de rendibilidade por título no Mercado Regulamentado da Euronext Lisbon e no contexto do PSI-20, permitindo comparar empresas de dimensão diferente em base homogénea.

Em Portugal, as sociedades com valores mobiliários admitidos à negociação preparam contas consolidadas em IFRS (Regulamento (CE) n.º 1606/2002), pelo que o cálculo do RPA segue a IAS 33 — Resultados por Acção, que exige a apresentação separada do RPA básico e do RPA diluído na demonstração dos resultados, com igual destaque, tanto para operações continuadas como descontinuadas.

O RPA é o numerador implícito do rácio PER (price-to-earnings ratio, ou cotação/resultados), usado por analistas da Euronext Lisbon e pela banca de investimento nacional para valorizar empresas cotadas. Um RPA mais elevado não significa, por si só, uma acção melhor — interessa a evolução plurianual, a qualidade dos resultados (excluindo itens não recorrentes) e a comparação com pares sectoriais europeus.

RPA Básico vs. RPA Diluído (IAS 33)

📊

RPA Básico

Usa o número médio ponderado de acções ordinárias em circulação no período (IAS 33 §10).

📉

RPA Diluído

Acrescenta ao denominador todas as acções potenciais com efeito dilutivo: convertíveis, opções, warrants e planos de incentivo (IAS 33 §31).

📅

RPA TTM (12 meses)

Soma dos últimos quatro trimestres reportados à CMVM. Útil para comparar com o PER corrente.

🔮

RPA Estimado (forward)

Projecções de analistas para o próximo exercício. Base do PER prospectivo e dos consensos publicados.

Reporte trimestral e PSI-20

As emitentes admitidas à negociação na Euronext Lisbon estão sujeitas ao regime de informação periódica do Código dos Valores Mobiliários (Decreto-Lei n.º 486/99, na redacção em vigor) e à supervisão da CMVM — Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. O relatório e contas anual e o relatório semestral incluem, obrigatoriamente, o RPA básico e diluído calculados nos termos da IAS 33.

A informação trimestral (1.º e 3.º trimestres) é divulgada ao mercado através do Sistema de Difusão de Informação da CMVM (SDI) e da Euronext, normalmente acompanhada de comunicado de imprensa onde as empresas do PSI-20 destacam RPA, EBITDA e dividendo por acção. Os investidores podem consultar os comunicados em www.cmvm.pt e www.euronext.com.

Exemplos

Cotada do PSI-20 com acções preferenciais (caso ilustrativo)

Uma sociedade anónima portuguesa admitida à negociação no Mercado Regulamentado da Euronext Lisbon reporta, nas contas consolidadas IFRS auditadas do exercício, um resultado líquido atribuível aos accionistas da empresa-mãe de 200 milhões de euros. Pagou dividendos preferenciais cumulativos de 10 milhões de euros sobre uma emissão de acções preferenciais sem direito de voto. O número médio ponderado de acções ordinárias em circulação, calculado nos termos da IAS 33 considerando a recompra de acções próprias autorizada pela Assembleia Geral a meio do exercício, foi de 100 milhões.

ResultadoRPA básico = (200 M€ − 10 M€) / 100 M = 1,90 € por acção

Os dividendos preferenciais cumulativos são deduzidos ao resultado líquido antes da divisão, porque, nos termos da IAS 33 §12-14, esse montante não está disponível para os accionistas ordinários — pertence à classe preferencial, mesmo nos exercícios em que não é declarado. O denominador usa o número médio ponderado de acções (não o saldo no final do período), de modo a que recompras efectuadas a meio do exercício sejam imputadas apenas à fracção do ano em que essas acções não estiveram em circulação. Se a mesma sociedade tivesse 3 milhões de opções in-the-money atribuídas aos administradores ao abrigo de um plano de stock options, o denominador diluído subiria para cerca de 103 milhões e o RPA diluído cairia para aproximadamente 1,84 € — o valor que os analistas da banca de investimento e o consenso de mercado publicado pela Euronext utilizam tipicamente para calcular o PER prospectivo.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre RPA básico e RPA diluído segundo a IAS 33?

O RPA básico, definido no IAS 33 §10, divide o resultado atribuível aos accionistas ordinários da empresa-mãe pelo número médio ponderado de acções ordinárias em circulação no período. O RPA diluído, definido no IAS 33 §31 e seguintes, ajusta numerador e denominador para reflectir a conversão de todos os instrumentos potencialmente dilutivos — obrigações convertíveis, acções preferenciais convertíveis, opções, warrants e direitos atribuídos em planos de incentivo a colaboradores. Como o denominador aumenta, o RPA diluído é sempre igual ou inferior ao RPA básico. A IAS 33 exige que ambos sejam apresentados, com igual destaque, na face da demonstração dos resultados consolidados. Os analistas que cobrem o PSI-20 usam tipicamente o RPA diluído para o cálculo do PER, por reflectir a diluição a que o accionista actual está exposto.

Por que motivo o RPA usa o número médio ponderado de acções em vez do saldo no final do período?

Porque o resultado líquido é gerado ao longo de todo o exercício e o denominador tem de reflectir quantas acções estiveram efectivamente entitled a esse resultado em média. Se uma sociedade inicia o ano com 100 milhões de acções e realiza um aumento de capital com a emissão de 20 milhões de novas acções a meio do ano, apenas 50% do exercício beneficiou do capital adicional. A média ponderada, prescrita pela IAS 33 §19-21, é 100 + (20 × 6/12) = 110 milhões, e não 120 milhões. Utilizar o saldo no final subestimaria o RPA, atribuindo um ano inteiro de resultados a acções emitidas apenas durante parte do período. A norma especifica também o tratamento retroactivo de splits e dividendos em acções, que se aplicam a todos os períodos comparativos apresentados.

Como é que as recompras de acções próprias afectam o RPA?

As recompras autorizadas pela Assembleia Geral, ao abrigo do artigo 319.º do Código das Sociedades Comerciais, reduzem o número médio ponderado de acções no denominador, pelo que o RPA aumenta mesmo com resultado líquido inalterado. Uma cotada do PSI-20 com 1 000 M€ de resultado líquido e 1 000 milhões de acções apresenta RPA de 1,00 €; se utilizar excedentes de tesouraria para amortizar 50 milhões de acções de forma linear ao longo do ano, o denominador médio ponderado desce para cerca de 975 milhões e o RPA sobe para aproximadamente 1,026 € — um ganho de 2,6% sem qualquer melhoria operacional. Por isso convém avaliar também a evolução do resultado líquido absoluto e do free cash flow, para distinguir crescimento orgânico de engenharia financeira.

Como se relacionam o RPA e o rácio PER no contexto da Euronext Lisbon?

O PER (price-to-earnings ratio, ou cotação/resultados) é simplesmente a cotação dividida pelo RPA, pelo que o RPA é um dos dois inputs do PER. Se uma cotada do PSI-20 transacciona a 8 € e reportou 0,50 € de RPA diluído nos últimos quatro trimestres, o PER trailing é de 16x; se o consenso de analistas projecta 0,60 € para o próximo exercício, o PER forward é cerca de 13,3x. O RPA indica quanto resultado pertence a cada acção; o PER indica quantos anos desses resultados o investidor está a pagar à cotação actual. Combinados com a taxa de crescimento esperada do RPA — o rácio PEG é uma forma de o fazer — permitem avaliar se um PER elevado é justificado por crescimento futuro, abordagem padrão na cobertura de research da banca de investimento portuguesa e europeia.

O RPA pode ser negativo e como interpretá-lo?

Sim. Quando uma empresa apresenta resultado líquido negativo, o RPA é negativo e a IAS 33 permite designá-lo como "prejuízo por acção". É comum em empresas em fase inicial, biotecnológicas pré-comercialização e em sectores cíclicos em recessão. Não é, por si só, sinal de mau investimento, mas torna o PER tradicional inutilizável (analistas não usam PER negativo). Para empresas com prejuízos avalia-se tipicamente através de múltiplos de receitas (price-to-sales), múltiplos sobre o EBITDA quando este é positivo, ou EV/EBITDA. Vale a pena seguir a tendência: uma redução trimestral consistente do prejuízo por acção é frequentemente mais informativa do que o valor absoluto.

Onde posso consultar o RPA oficial das empresas cotadas na Euronext Lisbon?

Os emitentes admitidos à negociação em mercado regulamentado divulgam o RPA básico e diluído nas suas contas consolidadas IFRS, sujeitas a auditoria externa, e nos relatórios semestrais não auditados, ambos publicados no Sistema de Difusão de Informação da CMVM (www.cmvm.pt) e no portal da Euronext (live.euronext.com). A informação trimestral, quando divulgada, segue o mesmo canal. A CMVM disponibiliza ainda o histórico de comunicados das cotadas portuguesas, onde é possível extrair o RPA reportado e construir séries temporais para análise. Para valorizações comparáveis a nível europeu, o site institucional da Euronext publica também múltiplos sectoriais agregados.

Fontes

Dicas Pro

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