Depositante português a comparar um depósito a prazo de 3,5% nominal com IPC de 2,3%
Um aforrador residente em Lisboa subscreve um depósito a prazo a 12 meses num banco a operar em Portugal com TANB anunciada de 3,5% e quer perceber o ganho real depois de descontar a inflação medida pelo Índice de Preços no Consumidor (IPC) publicado pelo INE, que se situou em 2,3% homólogos no último boletim. Como o BCE tem como meta de inflação 2% no médio prazo (estratégia revista em 2021) e a taxa Euribor a 12 meses serve de referência para o crédito à habitação em Portugal, ele quer separar o que é compensação pela perda de poder de compra do que é remuneração efetiva do capital, antes ainda da retenção na fonte de IRS sobre juros (28% à taxa liberatória).
ResultadoTaxa Real = (1,035 / 1,023) - 1 = 0,01173 = 1,17%. A aproximação dá 3,5% - 2,3% = 1,20%, com um desvio de 0,03 pontos percentuais.
Passo 1 — aplicar a fórmula exata de Fisher dividindo os fatores de crescimento em vez de subtrair taxas: 1 euro depositado cresce nominalmente para 1,035 euros, mas o cabaz do IPC do INE também encarece de 1 euro para 1,023 euros, pelo que o poder de compra final é apenas 1,035/1,023 = 1,01173 euros. Passo 2 — a taxa real bruta é, portanto, 1,17%, ainda antes de descontar a retenção na fonte de IRS de 28% que reduz o juro líquido para 2,52% nominal e a taxa real líquida para cerca de 0,21%. Passo 3 — quando a inflação atingiu picos próximos de 8% em 2022 (segundo dados do INE para o IPC homólogo), depósitos com TANB de 0,5% a 1% geravam taxas reais profundamente negativas, fenómeno generalizado na zona euro durante o ajuste do BCE da taxa de depósito. Passo 4 — o desvio de 0,03 pontos entre fórmula exata e aproximação é desprezável a estas taxas, mas torna-se relevante acima de 5% de inflação, situação que Portugal viveu por curtos períodos no último ciclo inflacionário.