O que são afinal juros compostos?
Juros compostos (ou juros sobre juros) significa que os rendimentos gerados começam, eles próprios, a produzir rendimentos. No ano 1 ganha juros sobre o capital; no ano 2 ganha juros sobre o capital mais os juros do ano 1; e assim sucessivamente. Em horizontes longos, este efeito domina: ao fim de 30 anos a 7%, mais de 70% do valor final é juro sobre juro e não a sua própria entrega. É um dos mecanismos centrais na poupança de longo prazo e na construção de património.
Qual a diferença para a Calculadora de Juros Compostos?
A Calculadora de Juros Compostos assume uma taxa fixa e contratual (depósito a prazo, Certificados do Tesouro, cupão de obrigação) e produz valores precisos. Esta Calculadora de Investimento Composto modela um rendimento variável de uma carteira de investimento (ações, ETF, fundos), em que a taxa introduzida é uma média de longo prazo, não uma garantia. O cálculo é o mesmo — muda a interpretação. Use esta para projeções de carteiras de investimento e PPR; use a outra para depósitos e Certificados de Aforro.
Como funciona a tributação de mais-valias em Portugal?
Em regra, as mais-valias com ações, ETF e fundos tributam em IRS à taxa autónoma de 28% (Categoria G), aplicável no momento da realização. Há a opção de englobamento, vantajosa se o seu rendimento global for baixo. Os juros de depósitos, obrigações e Certificados estão sujeitos a retenção liberatória de 28% (Categoria E). O PPR beneficia de um regime preferencial (taxas de 8% a 21,5% no resgate, conforme as condições previstas no Estatuto dos Benefícios Fiscais). Consulte sempre a versão atualizada no portaldasfinancas.gov.pt.
O que são os Certificados de Aforro e do Tesouro?
Os Certificados de Aforro e os Certificados do Tesouro são produtos de dívida pública emitidos pelo IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), com garantia do Estado Português. Os Certificados de Aforro Série F têm taxa indexada à Euribor a 3 meses, com prémio de permanência e teto máximo. Os Certificados do Tesouro Poupança Valor (CTPV) têm taxas crescentes definidas à subscrição. Ambos são tributados a 28% sobre os juros e são considerados aplicações de risco baixo. Consulte as condições atualizadas em igcp.pt.
Que rendimento é realista para um pequeno investidor em Portugal?
Adapte a hipótese à sua carteira. Para um ETF global de ações (como o IWDA ou o VWCE) é plausível um rendimento nominal histórico de 7–8% ao ano no longo prazo. Para uma carteira 60/40, 4–6% é realista. Em produtos garantidos (Certificados de Aforro, depósitos), o rendimento depende das taxas Euribor correntes e está atualmente na ordem de 2–3%. Expectativas prospetivas de gestoras como a Vanguard ou a BlackRock ficam tipicamente 1–2 pontos abaixo da média histórica, em virtude das valorizações atuais.
O que diz a regra dos 72 sobre o meu investimento?
A regra dos 72 é um atalho rápido: divida 72 pelo rendimento (em %) e obtém o número de anos em que o seu capital duplica. A 6% duplica em cerca de 12 anos (72 ÷ 6); a 3% demora 24 anos; a 9% basta 8 anos. Em taxas elevadas a duplicação real é ligeiramente mais rápida; em taxas baixas, um pouco mais lenta. Não substitui esta calculadora, mas é útil para estimar mentalmente o impacto de diferenças de rendimento.
Qual a vantagem fiscal do PPR?
O PPR oferece dois benefícios fiscais. À entrada: dedução à coleta de IRS de 20% dos valores aplicados, com limites anuais conforme o escalão etário (até 400 € abaixo dos 35 anos, 350 € entre 35 e 50, e 300 € acima dos 50 anos, valores em vigor à data da revisão). À saída: tributação dos rendimentos a 8% (em vez dos 28% das aplicações comuns), desde que respeitadas as condições do Estatuto dos Benefícios Fiscais (idade mínima de 60 anos, reforma, desemprego de longa duração, ou prazo mínimo de 5 anos com penalização parcial). Confirme sempre os limites em vigor no portaldasfinancas.gov.pt.
Quais as regras para aconselhamento de investimento em Portugal?
Ao abrigo da DMIF II (transposta para o ordenamento português através do Código dos Valores Mobiliários), as entidades autorizadas devem avaliar a adequação e a apropriação antes de prestar aconselhamento ou vender produtos complexos. A CMVM é a autoridade de supervisão. Os investidores não profissionais recebem obrigatoriamente o IFI/KID com indicador de risco SRI (1–7), custos e cenários. Esta calculadora é uma ferramenta educativa e não constitui aconselhamento ao abrigo da DMIF II — para conselho personalizado, recorra a um intermediário financeiro registado na CMVM (verifique em cmvm.pt).
O que é dollar-cost averaging (DCA)?
DCA consiste em aplicar um valor fixo em momentos regulares (por exemplo 300 € no dia 1 de cada mês), independentemente da cotação. O campo Reforço Mensal nesta calculadora modela implicitamente o DCA. A vantagem é comportamental — evita a tentação de tentar acertar no timing do mercado — e compra mais unidades de participação quando os preços estão baixos. A desvantagem: perante um valor único elevado (por exemplo uma herança), investir tudo de imediato vence matematicamente o DCA na maior parte dos cenários históricos, pois os mercados sobem mais vezes do que descem.
A calculadora considera o risco de sequência de rendimentos?
Não. A calculadora pressupõe um rendimento constante e uniforme em cada ano. Na prática, a ordem dos rendimentos importa muito na fase de levantamento (uma queda de −30% logo após a reforma pode comprometer a carteira permanentemente), mas pesa muito menos durante a fase de acumulação, em que continua a comprar através da volatilidade. Para os 5 anos antes e depois da reforma, um simulador de Monte Carlo é mais rigoroso do que esta abordagem de rendimento constante.
O que acontece se parar de reforçar ao fim de uns anos?
Faça duas contas. Calcule primeiro o valor futuro no momento em que para de reforçar. Depois, introduza esse valor como capital inicial, com reforço mensal a 0 e os anos restantes. Exemplo: 300 €/mês durante 10 anos a 7% → cerca de 52.000 €. Esse montante cresce sozinho durante mais 20 anos a 7% → cerca de 201.000 €. As décadas iniciais de reforço pesam mais, pelo efeito composto, do que os anos posteriores em falta — começar cedo é matematicamente mais valioso do que reforçar muito.
Por que motivo o meu rendimento efetivo parece tão elevado?
O Rendimento Efetivo é mostrado como multiplicador cumulativo sobre os euros aplicados (FV ÷ Total de Reforços − 1), e não como rendimento anualizado. Ao longo de 30–40 anos, uma média anual de 7% gera com facilidade um multiplicador de 4–8×, que aparece como 300–700% cumulativo. Para o equivalente anualizado, use (FV ÷ Total de Reforços)^(1/t) − 1, mas note que essa fórmula só é exata para um reforço único, não para fluxos mensais em que cada euro tem uma duração diferente.