A minha casa conta para o património líquido?
Sim — para o seu balanço patrimonial pessoal a habitação própria entra a valor de mercado actual, com o capital em dívida do crédito habitação separado do lado dos passivos. O capital próprio (valor de mercado menos crédito) é o que conta para o seu património. Algumas pessoas acompanham também um 'património líquido líquido' separado, excluindo a habitação, porque não pode gastar a casa sem a vender ou pedir um novo crédito com garantia.
O que é o AIMI e quando se aplica?
O AIMI (Adicional ao IMI) é um imposto anual sobre o património imobiliário, criado em 2017, que incide sobre a soma dos VPT dos prédios urbanos habitacionais e terrenos para construção detidos por cada sujeito passivo. Aplica-se quando essa soma excede €600.000 por titular (€1,2 milhões para casais que optem por tributação conjunta), com taxas progressivas de 0,7% a 1,5%. Não é cobrado sobre o valor de mercado mas sobre o VPT — consulte a caderneta predial no Portal das Finanças (portaldasfinancas.gov.pt) para conhecer o seu VPT exacto.
Devo incluir o meu PPR e Certificados de Reforma no património?
Para o seu balanço patrimonial pessoal, sim. Inclua o valor actual das unidades de participação do PPR e o saldo dos Certificados de Reforma (segundo pilar voluntário). A pensão da Segurança Social não se inclui como activo — é um fluxo de rendimento futuro, não um bem transferível ou herdável — mas deve ser considerada na sua planificação global de reforma. Verifique o seu plano individual de reforma na Segurança Social Directa para ter uma estimativa.
O que diz o ISFF/INE sobre o património das famílias portuguesas?
O Inquérito ao Património e Endividamento das Famílias (ISFF), realizado pelo INE em colaboração com o Banco de Portugal, mostra um património mediano dos agregados portugueses fortemente influenciado pela habitação própria — a riqueza imobiliária representa a maior fatia do património bruto. Os 10% mais ricos detêm uma quota desproporcional do património total, pelo que a média é puxada para cima. Use a mediana como referência, não a média, e foque-se na sua própria tendência ao longo do tempo.
Património líquido negativo é mau sinal?
Não necessariamente, sobretudo nos 20-30 anos. Recém-licenciados com crédito ao estudante e poucas poupanças têm frequentemente património negativo, com forte potencial de crescimento do rendimento à frente. O sinal que conta é a tendência: património negativo a subir €5.000-€10.000 por ano é saudável; estagnado ou a piorar exige uma análise séria do orçamento, estratégia de amortização ou trajectória de rendimento.
Qual é um rácio dívida/activos saudável?
Abaixo de 30% é Excelente — corresponde ao que esta calculadora classifica como Excelente. Entre 30% e 50% é Bom. Acima de 50% com património ainda positivo é a fase A Consolidar — comum em jovens com crédito habitação recente. Acima de 100% significa que os passivos superam os activos (património negativo) e é o sinal para focar na redução de dívidas. Para agregados portugueses com crédito habitação em amortização, o rácio diminui naturalmente com o tempo.
Com que frequência devo recalcular o património?
Mensal ou trimestralmente é o ideal. Diário cria stress desnecessário com a volatilidade dos mercados e do imobiliário; anual é demasiado espaçado para detectar uma tendência negativa a tempo. Escolha uma data fixa (primeiro do mês, fim de trimestre) e registe o valor para acompanhar a trajectória ao longo dos anos.
Devo incluir os bens do meu cônjuge?
Para o património do agregado, sim — combine tudo num único cálculo, já que habitação, reforma e decisões sobre filhos são tomadas em conjunto. Para análise individual (convenção antenupcial, divórcio, separação de bens), mantenha uma versão paralela só com activos e passivos em seu nome. No regime supletivo de comunhão de adquiridos, os bens adquiridos antes do casamento e por herança ou doação permanecem próprios.
Que impacto tem o IRS sobre mais-valias no meu património?
As mais-valias mobiliárias (acções, ETF, fundos, criptoactivos) são tributadas em IRS à taxa autónoma de 28% quando realizadas — ou seja, apenas na venda. Pode optar pelo englobamento se for mais vantajoso. Para imóveis fora da residência permanente, as mais-valias entram nos 50% para englobamento à taxa marginal. Para o seu balanço patrimonial actual, indique os valores brutos — o imposto só se materializa na venda.
Como tratar o crédito ao estudante?
Inclua o capital actualmente em dívida na categoria Crédito ao Estudante. Os créditos com garantia mútua para o ensino superior costumam ter condições mais favoráveis (carência durante o curso, taxas bonificadas) mas são, ainda assim, dívida real que reduz o seu património líquido. Consulte o seu banco ou o portal da Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua para o saldo exacto.
Os criptoactivos contam para o património?
Sim — Bitcoin, Ethereum, stablecoins e outras criptomoedas contam ao valor de mercado actual em Investimentos. Desde 2023, Portugal tributa em IRS as mais-valias realizadas em criptoactivos detidos há menos de 365 dias à taxa autónoma de 28% (mais-valias de criptoactivos detidos há mais de 365 dias estão isentas, salvo alguns casos). Para o balanço patrimonial use o valor bruto — o imposto só se materializa na alienação.
Porque é que o meu número difere de uma app bancária portuguesa?
Apps como o Money Manager do Millennium, a Moey! do BPI ou agregadores como Tink/Saltedge sincronizam com as contas e usam convenções próprias. Algumas não conseguem incluir imóveis (porque não há sincronização possível), outras tratam saldos de cartão de crédito como movimentos correntes em vez de dívida, outras ignoram PPR. Leia a metodologia da app e confronte linha a linha com as categorias desta calculadora — quase sempre é isso que explica a diferença.