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Calculadora de Amortização de Dívidas

Compare estratégias de liquidação de dívidas e veja o seu caminho até ficar sem dívidas. Avalanche vs Bola de Neve — qual funciona melhor para si?

Métodos de Amortização de Dívidas

Método Bola de Neve
A carregar fórmula...
Método Avalanche
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Debt #1
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Estratégias de Amortização de Dívidas

Sair das dívidas exige um plano. As duas estratégias mais populares — bola de neve e avalanche — funcionam ambas, mas abordam a liquidação de formas diferentes. Compreender as duas ajuda a escolher o método que se adequa à sua psicologia e aos seus objetivos financeiros.

A nossa calculadora compara os dois métodos lado a lado, mostrando qual poupa mais dinheiro e qual oferece vitórias mais rápidas.

❄️

Método Bola de Neve

Liquide primeiro os saldos mais pequenos para ganhar vitórias psicológicas.

🏔️

Método Avalanche

Liquide primeiro a taxa mais alta para minimizar o custo total.

📊

Comparação Lado a Lado

Veja exatamente quanto custa cada método.

📅

Cronograma de Liquidação

Saiba ao certo quando ficará sem dívidas.

O Método Bola de Neve

O método bola de neve, popularizado por Dave Ramsey, foca-se em vitórias rápidas para criar dinâmica. Paga os mínimos em todas as dívidas e coloca o dinheiro extra no saldo mais pequeno.

1️⃣

Liste todas as dívidas

Anote cada dívida do saldo mais pequeno para o maior, independentemente da taxa de juro. Para a ordenação apenas o saldo conta.

2️⃣

Pague os mínimos em todas

Faça os pagamentos mínimos em todas as dívidas para se manter em dia. Nunca falhe um pagamento — protege o seu histórico de crédito e evita comissões de mora.

3️⃣

Ataque a mais pequena

Coloque cada euro extra na dívida mais pequena. Corte despesas, venda coisas, ganhe extra — atire tudo para essa dívida.

4️⃣

Reaplique os pagamentos

Quando a dívida mais pequena estiver liquidada, junte o respetivo pagamento mínimo ao seu pagamento extra e canalize-o para a dívida seguinte mais pequena. O seu pagamento cresce como uma bola de neve a cada dívida eliminada.

O Método Avalanche

O método avalanche é matematicamente ótimo — minimiza o total de juros pagos ao atacar primeiro as dívidas com taxa mais alta.

1️⃣

Ordene pela taxa de juro

Liste as dívidas da taxa mais alta para a mais baixa. Um cartão a 18% vem antes de um crédito automóvel a 6%, independentemente do saldo.

2️⃣

Pague os mínimos em todas

Tal como na bola de neve — faça todos os pagamentos mínimos para se manter em dia em todas as dívidas.

3️⃣

Ataque a taxa mais alta

Coloque todo o dinheiro extra na dívida com a taxa mais alta. É a forma que mais poupa dinheiro ao longo do tempo.

4️⃣

Passe para a seguinte

Quando a dívida com a taxa mais alta estiver liquidada, transfira esse pagamento para a próxima taxa mais alta. Mesmo efeito bola de neve, ordem diferente.

Comparação Bola de Neve vs Avalanche

Qual o melhor método? Depende se prioriza psicologia ou matemática.

FatorBola de NeveAvalancheVencedor
Juros Totais Pagos Mais altos Mais baixos Avalanche
Tempo até à Primeira Vitória Mais rápido Mais lento Bola de Neve
Motivação Alta (vitórias rápidas) Exige disciplina Bola de Neve
Ótimo Matemático Não Sim Avalanche
Taxa de Conclusão Mais alta Mais baixa Bola de Neve
Melhor Para A maioria das pessoas Quem é muito disciplinado Depende

Tirar Partido dos Pagamentos Extra

Ambos os métodos funcionam melhor com pagamentos extra. Eis como encontrar mais dinheiro para acelerar a liquidação.

✂️

Corte Assinaturas

Cancele streaming, ginásio e caixas mensais que não usa. Mesmo 50 € por mês liquidam 600 € de dívida por ano, mais os juros poupados.

🍽️

Reduza Refeições Fora

Comer fora custa 3 a 5 vezes mais do que cozinhar em casa. Reduzir refeições fora de 400 € para 100 € por mês liberta 300 € para a dívida.

💼

Rendimento Extra

Freelancing, biscates ou venda de bens podem somar centenas de euros por mês. Direcione 100% do rendimento extra para a dívida.

💰

Use os Extras

Reembolso de IRS, subsídio de Natal, prémios — coloque tudo na dívida. Um reembolso de 1 500 € pode eliminar um cartão de crédito.

📞

Negoceie Contas

Ligue à seguradora, operadora de telecomunicações e fornecedor de energia. Uma poupança de 30 € por mês equivale a 360 € por ano para a dívida.

🏷️

Venda o Que Não Usa

Eletrónica, roupa, móveis de que não precisa. Uma boa venda no OLX ou Vinted pode liquidar inteiramente uma dívida pequena.

Quando Considerar Outras Opções

Por vezes as estratégias de liquidação por si só não chegam. Considere estas alternativas se estiver afogado.

🔄

Transferência de Saldo

Cartões com promoções de TAEG reduzida podem poupar juros significativos. Transfira saldos de taxa alta e amortize agressivamente durante o período promocional. Atenção às comissões de transferência (tipicamente 1-3%).

🏦

Crédito de Consolidação

Um crédito pessoal com taxa inferior à das dívidas atuais simplifica os pagamentos e pode reduzir juros. Só funciona se não voltar a acumular novas dívidas.

📞

Negoceie com os Credores

Se está em dificuldades, contacte os credores. Podem reduzir taxas, perdoar comissões ou criar planos de pagamento. Em Portugal, está previsto o PARI (Plano de Ação para o Risco de Incumprimento) para clientes em risco — peça a sua ativação cedo.

⚠️

Apoio ao Sobreendividado

A Rede de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE), com GAS reconhecidos pelo Banco de Portugal, e a DECO Sobreendividamento prestam apoio gratuito. Evite empresas comerciais que prometem 'limpar dívidas' por uma comissão.

Como usar esta calculadora de amortização de dívidas

  1. Para cada dívida que tem, preencha o Nome da Dívida, o Saldo Atual (€), a Taxa de Juro (%) e o Pagamento Mínimo (€). Use o seu último extrato ou a área de cliente do credor, não estimativas.
  2. Clique em + Adicionar outra dívida para introduzir cartões de crédito, créditos pessoais, créditos revolving ou descobertos bancários adicionais, até listar todas as dívidas.
  3. Introduza o Pagamento Extra Mensal (€) que consegue realmente comprometer acima da soma de todos os mínimos — mesmo 25 € fazem uma diferença real ao longo do tempo.
  4. Clique em Calcular Plano de Amortização para ver lado a lado os meses até liquidar, juros totais, data sem dívidas e juros poupados pelos métodos bola de neve e avalanche.
  5. Compare a ordem de liquidação de cada método e escolha aquela que consegue mesmo manter — a constância vence o ótimo teórico.

Exemplos

Um cartão de crédito com taxa alta: mínimo vs amortização agressiva

Tem 10 000 € num cartão de crédito a 18% TAEG — uma TAEG típica em Portugal segundo as tabelas trimestrais do Banco de Portugal. O pagamento mínimo ronda 2% do saldo (cerca de 200 €), mas consegue afetar 300 € por mês ao total.

ResultadoCom 300 € de pagamento mensal total, o cartão é liquidado em cerca de 47 meses e paga aproximadamente 3 800 € em juros. Pagando apenas o mínimo de 200 € (que diminui à medida que o saldo cai), o pagamento estende-se por mais de 20 anos e os juros mais do que duplicam.

Cada mês a calculadora aplica juros a 18% ÷ 12 = 1,5% sobre o saldo remanescente e depois subtrai o pagamento mensal. Com 200 € de mínimo e 100 € extra, o capital cai de forma constante. Com apenas o mínimo, a maior parte do pagamento é consumida por juros nos primeiros anos — a armadilha do pagamento mínimo que o Banco de Portugal e a DECO PROteste alertam regularmente nos guias de consumidor.

Três dívidas — bola de neve vs avalanche em duelo direto

Uma combinação comum em Portugal: 2 000 € num cartão revolving a 18% TAEG, 6 000 € num crédito pessoal a 9% TAEG e 12 000 € num crédito automóvel a 6,5% TAEG. Os pagamentos mínimos são 60 €, 150 € e 250 € (total 460 €), e tem 200 € extra para colocar no plano.

ResultadoO avalanche ataca primeiro o cartão a 18%, depois o crédito pessoal a 9% e por fim o crédito automóvel a 6,5%; os juros totais rondam 2 400 € ao longo de cerca de 41 meses. O bola de neve liquida primeiro o cartão de 2 000 € (vitória rápida em cerca de 4 meses), depois o crédito de 6 000 € e por fim o automóvel; os juros totais ficam à volta de 2 650 € ao longo de 41-42 meses. Ambos terminam quase ao mesmo tempo; o avalanche poupa cerca de 250 € em juros.

Porque o saldo mais pequeno é também o que tem a taxa mais alta, os dois métodos sobrepõem-se bastante. Quando o saldo mais baixo coincide com a taxa mais alta, bola de neve e avalanche convergem. A diferença maior aparece quando uma dívida pequena de taxa baixa fica ao lado de uma dívida grande de taxa alta.

Crédito pessoal com amortização antecipada

Tem 15 000 € num crédito pessoal num banco português a 7,5% TAEG, com prestação mensal fixa de 280 €. Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 133/2009 garante o direito ao reembolso antecipado, total ou parcial, em qualquer momento, mediante comissão limitada (0,5% se faltar mais de 1 ano, 0,25% se faltar menos). Quer afetar 150 € extra por mês.

ResultadoSem pagamento extra, o crédito demora cerca de 5 anos (60 meses) e custa aproximadamente 3 000 € em juros. Com 150 € extra, fica liquidado em 39-40 meses e paga cerca de 1 900 € em juros — uma poupança próxima de 1 100 € e quase 20 meses de tempo, descontando a comissão de reembolso antecipado.

Num crédito pessoal com prestação fixa, cada euro extra reduz diretamente o capital em dívida. Segundo as regras do Banco de Portugal para crédito aos consumidores, a comissão por amortização antecipada está plafonada (0,5% ou 0,25% conforme o tempo restante). Confirme sempre as condições contratuais e simule o efeito antes de transferir montantes elevados de uma só vez.

Como funciona

A calculadora simula as suas dívidas mês a mês. Para cada mês, calcula juros sobre cada saldo a taxa mensal=TAEG÷12\text{taxa mensal} = \text{TAEG} \div 12 e depois aplica a soma dos pagamentos mínimos mais o Pagamento Extra Mensal. Todo o dinheiro acima dos mínimos é concentrado numa única dívida-alvo — o saldo mais pequeno na bola de neve, a taxa de juro mais alta no avalanche.

Quando a dívida-alvo chega a zero, o pagamento mínimo correspondente passa para a dívida-alvo seguinte, fazendo crescer o montante na frente da fila. É o 'efeito bola de neve' que ambos os métodos partilham — só difere a ordem dos alvos. A simulação prossegue até todos os saldos estarem liquidados (ou até um limite de segurança de 50 anos).

O método bola de neve, popularizado por Dave Ramsey, ignora deliberadamente as taxas de juro e ordena as dívidas por saldo, do mais pequeno para o maior. Matematicamente é subótimo, mas a investigação comportamental mostra que as vitórias iniciais aumentam a probabilidade de as pessoas concluírem o plano. O método avalanche, recomendado pela maioria dos economistas e referido em guias de literacia financeira do Banco de Portugal (Todos Contam), ordena por taxa de juro, da mais alta para a mais baixa, e é demonstravelmente o caminho com menos juros totais.

Os juros totais são a soma de todos os juros acumulados durante a simulação; meses até liquidação é o mês em que o último saldo chega a zero; a data sem dívidas é hoje mais esse número de meses. Os juros poupados no cartão Avalanche reportam a diferença entre os juros totais dos dois métodos.

Quando usar esta calculadora

  • Escolher entre bola de neve e avalanche. Introduza o mesmo conjunto de dívidas em ambos os métodos para ver a diferença em euros. Se o avalanche poupa apenas algumas dezenas a uma centena de euros, as vitórias motivadoras da bola de neve podem valer mais do que a matemática.
  • Dimensionar o pagamento extra. Experimente valores de Pagamento Extra Mensal de 50 €, 100 €, 200 € e 300 € para ver quanto cada incremento encurta a liquidação e reduz os juros totais. Escolha o valor mais alto que o seu orçamento sustenta todos os meses, não só nos bons meses.
  • Decidir o que fazer com um extra. Subsídio de férias, subsídio de Natal, reembolso do IRS ou prémio a caminho? Adicione esse valor temporariamente como Pagamento Extra Mensal para ver como um empurrão pontual antecipa a sua data sem dívidas, e dirija o montante para a dívida com maior prioridade da calculadora.
  • Avaliar uma consolidação ou transferência de crédito. Reintroduza as dívidas como se as tivesse consolidado num único crédito pessoal a uma taxa mais baixa e compare os juros totais com a sua trajetória atual. Compare sempre a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), não apenas a TAN ou a taxa promocional.
  • Acompanhar a evolução mês a mês. Recalcule a cada vencimento ou sempre que liquidar uma dívida. Ver a data sem dívidas aproximar-se é um dos motivadores mais fortes para manter o plano.

Erros comuns

  • ErroIntroduzir apenas o pagamento mínimo do extrato, que diminui à medida que o saldo desce.
    SoluçãoOs emissores normalmente calculam o mínimo como 1-3% do saldo mais juros. A simulador usa um mínimo fixo, o que é conservador — para um retrato realista da armadilha do mínimo, use o valor atual do extrato e recalcule sempre que ele mudar.
  • ErroIgnorar a Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) e o impacto que incidentes têm em financiamentos futuros.
    SoluçãoTodos os créditos contratados em Portugal — cartões, crédito pessoal, automóvel, habitação — são reportados mensalmente ao Banco de Portugal e ficam visíveis na CRC (acessível gratuitamente em bportugal.pt). Incumprimentos ficam visíveis durante anos e podem bloquear um crédito habitação ou automóvel. Evite incumprimento — peça atempadamente a renegociação ao banco antes de entrar no PERSI.
  • ErroNão ter fundo de emergência e atirar todos os euros disponíveis para a dívida.
    SoluçãoMantenha uma reserva inicial de 1 000 € a 2 000 € numa conta poupança separada. Sem reserva, a próxima avaria do esquentador ou conta de saúde inesperada acaba no cartão de crédito e o progresso evapora — um padrão que a DECO PROteste descreve como ciclo de sobreendividamento.
  • ErroIgnorar o descoberto bancário ou a conta-corrente porque é 'pequeno'.
    SoluçãoO descoberto em Portugal cobra TAEG facilmente acima de 14-19% e é muitas vezes esquecido porque não 'parece' uma dívida. Inclua descobertos e saldos negativos nesta calculadora e ataque-os com a mesma prioridade que um cartão de crédito.
  • ErroEm situação grave continuar a tentar resolver sozinho em vez de procurar apoio especializado.
    SoluçãoSe as suas despesas fixas absorvem mais de 60% do rendimento ou se já há agências de cobrança a contactar, peça a entrada no PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento) junto do seu banco — é obrigatório o credor aderir e suspender ações judiciais durante o processo. Pode também recorrer ao apoio gratuito da DECO sobreendividamento (deco.proteste.pt) ou aos Gabinetes de Apoio ao Sobreendividado (GAS) da Rede de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE) acreditados pelo Banco de Portugal.
  • ErroEscolher o avalanche no papel e depois desistir porque o progresso parece invisível.
    SoluçãoSe ficou bloqueado em saldos grandes com taxas altas, mudar para a bola de neve para uma ou duas vitórias rápidas é melhor do que abandonar o plano. O melhor método é aquele que vai até ao fim.

Perguntas frequentes

Avalanche versus bola de neve — qual é realmente melhor?

Matematicamente, o avalanche ganha sempre, porque elimina primeiro os juros mais caros. Comportamentalmente, a bola de neve ganha muitas vezes, porque liquidar um saldo cedo cria dinâmica que mantém as pessoas no plano. Se a diferença em euros nesta calculadora for pequena (algumas dezenas a cem euros), escolha a bola de neve; se for de milhares, opte pelo avalanche. O melhor método é aquele que efetivamente termina.

O que é a armadilha do pagamento mínimo nos cartões de crédito?

Os mínimos dos cartões são tipicamente 1-3% do saldo mais juros, desenhados para que pagar só o mínimo estenda o reembolso por décadas. Em Portugal, as TAEG médias dos cartões revolving e descobertos publicadas trimestralmente pelo Banco de Portugal situam-se entre 14% e 19%, e pagar apenas o mínimo pode significar reembolsar 2 a 3 vezes o capital original em juros. Pague sempre mais do que o mínimo, mesmo que sejam apenas 25 € extra, e recalcule nesta calculadora para ver a diferença.

O que é o Mapa de Responsabilidades de Crédito (MRC) e quando aparece nele?

O MRC, gerido pela Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal, agrega mensalmente todos os créditos contratados em instituições financeiras supervisionadas em Portugal — cartões, crédito pessoal, automóvel, habitação, locação financeira. Pode consultá-lo gratuitamente em bportugal.pt através do Portal do Cliente Bancário. As situações de incumprimento ficam registadas e visíveis a outros bancos durante anos, podendo bloquear novos créditos. Saldo regularizado significa também boa notícia: o registo de cumprimento é positivo para análises futuras.

Quando é que o PERSI ou o PARI são uma opção melhor do que tentar resolver sozinho?

Para créditos a particulares com sinais de risco ou incumprimento, o Aviso 17/2012 do Banco de Portugal obriga os bancos a aplicar o PARI (Plano de Ação para o Risco de Incumprimento) na fase preventiva e, após 31 dias de mora, integrá-lo no PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento). Durante o PERSI, o banco fica proibido de avançar com ação judicial, ceder o crédito ou aumentar a taxa. Solicite a sua ativação cedo — quanto antes intervir, mais opções tem. Se o PERSI falhar, pode ainda recorrer à Insolvência de Pessoas Singulares e ao plano de pagamentos previsto no CIRE.

Qual a taxa máxima permitida num crédito ao consumo em Portugal?

O Banco de Portugal publica trimestralmente as TAEG máximas para cada tipo de crédito ao consumo (Aviso 5/2017), calculadas como 1,25 vezes a TAEG média do trimestre anterior, com um teto adicional de 50% acima da média global. Em 2026 isto resulta em tetos que variam por categoria: créditos pessoais sem finalidade rondam 13-14%, cartões e descobertos podem chegar a 16-19%, créditos automóveis 7-10%. Qualquer TAEG acima do máximo é nula na parte excedentária, e pode reclamar junto do Banco de Portugal ou recorrer ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo competente.

Devo cancelar cartões de crédito depois de os liquidar?

Em Portugal não existe um 'credit score' à americana, pelo que cancelar um cartão não tem o mesmo impacto. Vantagem de cancelar: o limite deixa de figurar no MRC do Banco de Portugal, o que reduz o seu nível de endividamento aparente e ajuda em pedidos futuros de crédito habitação — os bancos contam o limite atribuído (mesmo não utilizado) na taxa de esforço. Desvantagem: perde rede de pagamentos e a flexibilidade para emergências. A DECO recomenda cancelar cartões que não usa logo após chegarem a saldo zero; se precisa do cartão para viagens ou compras online, mantenha-o e pague a totalidade todos os meses.

Vale a pena fazer um crédito pessoal para consolidar dívidas?

A consolidação por crédito pessoal pode ajudar se a TAEG for visivelmente inferior à média ponderada das suas dívidas atuais e se não voltar a acumular saldos nos cartões que acabou de liquidar. Compare sempre a TAEG (e não a TAN ou taxas promocionais). Vantagem: em Portugal, segundo o Decreto-Lei 133/2009, tem direito a reembolso antecipado a qualquer momento mediante comissão limitada (0,5% se faltar mais de 1 ano, 0,25% caso contrário). Desvantagem: prazo fixo e prestação comprometida — se a sua situação piorar, é mais difícil renegociar do que um cartão.

Devo poupar e liquidar dívidas ao mesmo tempo?

Sim — construa primeiro uma reserva inicial de 1 000 € a 2 000 € antes de atacar dívidas a fundo, e depois canalize o extra para amortizar enquanto mantém a reserva intacta. Sem reserva, a próxima avaria do carro ou despesa médica vai para o cartão e o progresso evapora. Quando as dívidas com juro alto estiverem liquidadas, alargue a reserva para 3-6 meses de despesas fixas, como recomenda a DECO PROteste em todos os guias de planeamento financeiro.

Como é que liquidar dívidas afeta a minha capacidade de obter novo crédito?

Em Portugal, os bancos avaliam principalmente a sua taxa de esforço (encargos com créditos sobre rendimento líquido) e o seu histórico no MRC do Banco de Portugal. Liquidar dívidas ajuda em duas frentes: reduz a sua taxa de esforço imediatamente e, no caso de créditos plenamente cumpridos, deixa um historial positivo. Para crédito habitação, o Aviso 4/2017 estabelece limites: taxa de esforço máxima recomendada de 50%, DSTI ponderado a stress de taxa. Liquidar cartões e descobertos antes de pedir crédito habitação tende a melhorar substancialmente a análise.

Onde posso obter apoio gratuito se as dívidas se tornarem insustentáveis?

Existem várias opções gratuitas em Portugal: a Rede de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE), coordenada pelo Banco de Portugal, reúne Gabinetes de Apoio ao Sobreendividado (GAS) reconhecidos e acreditados (lista em bportugal.pt); a DECO Sobreendividamento (deco.proteste.pt) presta apoio jurídico e técnico aos associados e sócios; a Direção-Geral do Consumidor (dgc.gov.pt) tem informação geral e encaminhamento para Centros de Arbitragem. Para situações extremas, a Insolvência de Pessoas Singulares com plano de pagamentos pode oferecer uma saída legal, normalmente com acompanhamento de advogado.

Onde reclamo de uma instituição financeira ou de um cartão?

Em primeiro lugar use a reclamação interna do banco (todos têm provedor do cliente) e, se necessário, escreva no Livro de Reclamações eletrónico (livroreclamacoes.pt). Se a reclamação não for resolvida, pode reclamar diretamente junto do Banco de Portugal através do Portal do Cliente Bancário, que supervisiona a conduta das instituições financeiras. Para conflitos de consumo, pode recorrer a Centros de Arbitragem de Conflitos de Consumo (lista da DGC) ou ao CNIACC nacional. A ASFAC (Associação de Instituições de Crédito Especializado) também tem provedor para créditos das suas associadas.

Qual a precisão da data sem dívidas nesta calculadora?

É uma estimativa que assume que paga os mínimos introduzidos mais o mesmo Pagamento Extra Mensal todos os meses, que as taxas de juro não mudam e que não contrai novas dívidas. Na prática há meses falhados, subidas de taxa em cartões e contas indexadas, e despesas imprevistas, pelo que deve tratar a data como uma âncora de planeamento. Recalcule sempre após qualquer alteração significativa — saldo novo, dívida liquidada, alteração de taxa, aumento de rendimento.

Isto também serve para o crédito habitação e crédito do ensino superior?

Pode introduzir qualquer crédito amortizável, mas a maioria dos especialistas exclui o crédito habitação da liquidação agressiva. As taxas em Portugal são habitualmente baixas (Euribor + spread modesto) e o crédito está garantido por bem imóvel. Para crédito ao ensino superior — quer linhas com garantia mútua, quer planos do Estado — as taxas são geralmente vantajosas e há períodos de carência associados ao início da vida ativa. Concentre-se primeiro em cartões, créditos revolving, descobertos e créditos pessoais com TAEG alta. Antes de amortizar habitação, compare o custo da Euribor + spread atual com o rendimento líquido que conseguiria numa aplicação financeira segura.

Fontes

Metodologia

A calculadora simula a amortização mensal de cada dívida introduzida. Em cada mês, são adicionados juros à taxa TAEG ÷ 12 sobre cada saldo, sendo depois aplicada a soma dos pagamentos mínimos mais o Pagamento Extra Mensal. O excedente acima dos mínimos é concentrado numa única dívida-alvo: o saldo mais pequeno no método bola de neve, a taxa de juro mais alta no método avalanche. Quando uma dívida chega a zero, o respetivo pagamento mínimo passa para a dívida-alvo seguinte (o 'efeito bola de neve'). A simulação prossegue até todos os saldos estarem liquidados ou até atingir um limite de segurança de 50 anos; os totais reportados são meses até liquidação, juros totais e a diferença em euros entre os dois métodos. Valores em euros; taxas calculadas no quadro regulatório português do Banco de Portugal para crédito aos consumidores.

Dicas Pro

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