Datação da gravidez em Portugal
Em Portugal, a gravidez é contada a partir do primeiro dia da última menstruação (DUM) e não da concepção. Isto significa que, no momento da ovulação, já se está formalmente com 'duas semanas de gestação'. Uma gravidez de termo dura 40 semanas (280 dias) desde a DUM, ou seja, 38 semanas desde a concepção. Esta calculadora aplica a regra de Naegele (DUM + 280 dias), o método padrão utilizado pela Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Ginecologia (SPOG) e pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).
A vigilância pré-natal nos Cuidados de Saúde Primários do SNS segue o Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco da DGS: a primeira consulta deve ocorrer até às 12 semanas, com consultas regulares ao longo dos três trimestres (cerca de 6 a 9 consultas numa gravidez sem complicações). São realizadas três ecografias obstétricas: ecografia do 1.º trimestre (11-13 semanas e 6 dias) para datação e rastreio combinado, ecografia morfológica do 2.º trimestre (20-22 semanas) e ecografia do 3.º trimestre (30-32 semanas) para avaliar crescimento e bem-estar fetal.
Os três trimestres
O primeiro trimestre (semanas 1 a 12) é a fase de organogénese. Muitas grávidas têm náuseas, cansaço e mamas sensíveis. A toma diária de 400 microgramas de ácido fólico é recomendada pela DGS desde a fase pré-concepcional até às 12 semanas, e o iodeto de potássio (150-200 µg/dia) é aconselhado durante toda a gravidez e aleitamento.
O segundo trimestre (semanas 13 a 27) é tipicamente o período mais confortável: as náuseas diminuem, sentem-se os primeiros movimentos fetais entre as 18 e as 22 semanas e realiza-se a ecografia morfológica. O terceiro trimestre (semanas 28 a 40) caracteriza-se por ganho rápido de peso fetal, contracções de Braxton-Hicks e preparação para o parto. A partir das 36 semanas as consultas passam normalmente a ser semanais, e a partir das 41 semanas a vigilância intensifica-se com CTG e ecografia.
Rastreios pré-natais e diagnóstico
O rastreio combinado do 1.º trimestre (entre as 11 e 13 semanas e 6 dias) integra ecografia (translucência da nuca) e análises bioquímicas maternas para estimar o risco de trissomias 21, 18 e 13. Em alternativa ou complemento, o teste pré-natal não invasivo (NIPT/cfDNA) analisa ADN fetal no sangue materno e está disponível em consultórios e laboratórios privados em Portugal, com cobertura parcial em situações de risco aumentado.
A ecografia morfológica das 20-22 semanas, realizada por todas as grávidas seguidas no SNS, avalia detalhadamente a anatomia fetal. Em caso de risco aumentado ou de achados ecográficos, são oferecidos exames de diagnóstico (biópsia das vilosidades coriónicas entre as 11-14 semanas ou amniocentese a partir das 16 semanas), efectuados em Centros de Diagnóstico Pré-Natal. Todos os rastreios e exames são voluntários e precedidos de aconselhamento.
Parto, licença parental e cuidados pós-parto
A maioria dos partos em Portugal ocorre em meio hospitalar, públicos (SNS) ou privados. O parto domiciliar planeado é legalmente possível mas pouco frequente. A escolha da maternidade e a inscrição costumam ocorrer entre as 24 e 32 semanas; a partir das 36 semanas a grávida pode dirigir-se directamente ao serviço de urgência obstétrica da sua maternidade de referência em caso de sinais de trabalho de parto.
A licença parental em Portugal é regulada pelo Código do Trabalho e pela Segurança Social: 120 ou 150 dias de licença parental inicial partilhada entre os progenitores, com majoração para 180 dias quando ambos partilham 30 dias consecutivos cada. O pai tem ainda uma licença parental exclusiva obrigatória de 28 dias seguidos ou interpolados nos primeiros 42 dias. A inscrição na Segurança Social e o boletim de saúde da grávida devem ser tratados precocemente.
Precisão da data provável do parto
Apenas cerca de 4 a 5% dos recém-nascidos nascem exactamente na data provável calculada. Cerca de 80% nascem dentro de duas semanas (antes ou depois) dessa data. A classificação obstétrica utilizada em Portugal segue a convenção internacional: pré-termo (antes das 37+0 semanas), termo precoce (37+0 a 38+6), termo (39+0 a 40+6), termo tardio (41+0 a 41+6) e pós-termo (42+0 ou mais).
A ecografia do 1.º trimestre, com medição do comprimento crânio-caudal (CCN), é o método mais fiável de datação, com margem de 5 a 7 dias. Quando a diferença entre a datação por DUM e por ecografia é superior a 7 dias no 1.º trimestre, o obstetra ajusta a data provável do parto pela ecografia. Em gestações por procriação medicamente assistida, a data é calculada a partir da data da transferência embrionária.
Alimentação, estilo de vida e quando contactar o médico
A DGS recomenda durante a gravidez: ácido fólico até às 12 semanas, iodeto de potássio durante toda a gravidez e aleitamento, evitar carnes e peixes crus ou mal cozinhados, queijos não pasteurizados, fígado e álcool. A cafeína deve ser limitada a cerca de 200 mg por dia (aproximadamente 2 cafés). A actividade física moderada de 150 minutos por semana é segura e recomendada na ausência de contra-indicações.
Contacte de imediato a sua maternidade de referência ou o SNS 24 (808 24 24 24) em caso de perdas de sangue vaginais, perda de líquido amniótico, dor abdominal intensa e persistente, febre superior a 38,5 °C, cefaleia intensa com alterações visuais ou redução dos movimentos fetais após as 28 semanas. Em situações de risco de vida, ligue 112.