Com que frequência posso dar sangue em Portugal?
Depende do tipo de dádiva e do sexo. Os homens podem dar sangue total até 4 vezes por ano, com um intervalo mínimo de 90 dias. As mulheres podem dar sangue total até 3 vezes por ano, com um intervalo mínimo de 120 dias, devido a perdas de ferro associadas à menstruação. O plasma e as plaquetas por aférese podem ser doados cada 14 dias, até cerca de 26 e 24 vezes por ano, respetivamente. Estes valores seguem o protocolo do IPST.
Qual é o valor mínimo de hemoglobina para dar sangue?
O IPST mede a hemoglobina por picada no dedo antes de cada dádiva. Para homens é exigido um mínimo de 13,5 g/dL e para mulheres 12,5 g/dL. Se o valor for inferior, a dádiva é adiada e habitualmente pode ser repetida ao fim de cerca de 3 meses. Uma hemoglobina baixa sugere geralmente reservas de ferro insuficientes — a DGS aconselha reforço alimentar e, em casos persistentes, consulta com o médico de família.
Porque é que o peso mínimo são 50 kg?
Numa dádiva de sangue total são colhidos cerca de 450 mL, o que corresponde sensivelmente a 10% do volume sanguíneo num dador de 50 kg. Abaixo desse peso, a fração colhida torna-se demasiado elevada, com risco de tonturas, hipotensão e síncope vasovagal. O IPST aplica este limite a todos os tipos de dádiva, incluindo plasma e plaquetas, e verifica o peso na inscrição e em cada visita.
Quanto tempo demora a recuperação após uma dádiva?
O plasma é reposto pelo organismo em 24-48 horas. As plaquetas regeneram-se em poucos dias. Os glóbulos vermelhos precisam de 6 a 8 semanas para se reporem totalmente, o que justifica os intervalos mínimos de 90 e 120 dias para o sangue total. As reservas de ferro podem demorar ainda mais, sobretudo nas mulheres — daí o limite anual de 3 dádivas. A maioria dos dadores sente-se bem no próprio dia, mas o IPST aconselha evitar esforço físico intenso, sauna, álcool e tabaco nas primeiras horas.
Qual é a diferença entre dar plasma e dar sangue total?
Na dádiva de sangue total são colhidos 450 mL de sangue completo em 10-15 minutos. Na plasmaférese o sangue passa por um aparelho que separa apenas o plasma (cerca de 600-700 mL) e devolve ao dador os glóbulos vermelhos e as plaquetas. A plasmaférese demora 30-45 minutos de colheita efetiva. Como não há perda relevante de glóbulos vermelhos, pode dar plasma a cada 14 dias em vez dos 90/120 dias do sangue total. O plasma é usado em transfusões e na produção de medicamentos derivados.
Posso dar sangue durante ou após a gravidez?
Não. O IPST não aceita dádivas durante a gravidez. Após o parto há um período de suspensão de pelo menos 6 meses, prolongado se houve complicações ou se está em amamentação. Após uma interrupção da gravidez ou aborto também há um período de suspensão. Consulte o médico assistente e confirme os critérios atuais em ipst.pt antes de marcar nova dádiva.
Quais são os limites de idade para dar sangue em Portugal?
Pode inscrever-se como novo dador a partir dos 18 e até aos 65 anos. Dadores regulares podem continuar a doar até aos 70 anos, desde que o médico do IPST valide a aptidão em cada dádiva. A partir dos 65 anos podem ser pedidos exames complementares e a periodicidade pode ser ajustada para garantir a segurança.
Que situações me podem impedir (temporária ou definitivamente) de dar sangue?
O IPST aplica uma lista detalhada de critérios. Suspensão temporária: tatuagens ou piercings recentes (cerca de 4 meses), viagens a zonas de risco para malária ou outras doenças tropicais (frequentemente 6 meses), determinadas vacinas (de dias a algumas semanas), cirurgias recentes, hemoglobina baixa, gravidez e pós-parto, febre ou infeções. Suspensão definitiva pode aplicar-se a algumas infeções crónicas, certos antecedentes oncológicos e condições específicas. A lista atualizada está disponível em ipst.pt.
Como me inscrevo como novo dador no IPST?
Pode inscrever-se em ipst.pt, num centro de sangue do IPST (Lisboa, Porto ou Coimbra) ou numa brigada móvel. Na primeira visita faz uma entrevista clínica com questionário de saúde, medição de tensão arterial, peso e análises (hemoglobina e tipagem sanguínea). Se for aprovado, é integrado no ficheiro nacional de dadores e passa a ser convocado de acordo com a necessidade da sua tipagem. Associações como a FEPODABES também apoiam a inscrição e divulgação de campanhas.
Recebo algum pagamento por dar sangue em Portugal?
Não. Em Portugal a dádiva de sangue é voluntária, benévola e não remunerada, conforme as recomendações do Conselho da Europa e da OMS. O IPST é uma entidade pública sem fins lucrativos. O dador tem direito a um lanche após a colheita e, no caso de trabalhadores, a uma dispensa de um dia de serviço para dar sangue, conforme previsto na legislação laboral aplicável.