Como é calculada a minha data provável de parto?
O método padrão é a regra de Naegele: somam-se 280 dias (40 semanas) ao primeiro dia da última menstruação. A versão abreviada é somar 7 dias, subtrair 3 meses e somar 1 ano — por exemplo, uma DUM a 1 de janeiro de 2026 dá uma DPP a 8 de outubro de 2026. Esta calculadora também ajusta o resultado em função da duração do ciclo, para que mulheres com ciclos diferentes de 28 dias obtenham uma estimativa mais realista.
Por que é que a DPP se baseia na DUM e não na concepção?
A DUM é uma data conhecida e observável para a maioria das mulheres, enquanto a data exacta da concepção raramente é conhecida. Como a ovulação ocorre habitualmente cerca de 14 dias após a DUM, a convenção acrescenta essas duas semanas no início. É por isso que se descreve uma utente como tendo 'seis semanas de gravidez', ainda que o embrião só tenha cerca de quatro semanas. Mudar para uma contagem a partir da concepção criaria confusão constante entre utentes e clínicos.
E se o meu ciclo for irregular ou não tiver 28 dias?
A regra de Naegele assume um ciclo de 28 dias. Ciclos mais longos do que 28 dias adiam a ovulação (e a concepção), pelo que a DPP se desloca para mais tarde no mesmo número de dias. Ciclos mais curtos antecipam a DPP. Esta calculadora aplica esse ajuste. Em ciclos genuinamente irregulares, após interrupção recente de contracepção hormonal, em casos de SOP ou durante a amamentação, a datação pela DUM torna-se pouco fiável e a ecografia do 1.º trimestre é a melhor referência.
Por que é que o meu médico mudou a minha DPP?
Conforme as orientações da SPOG e da DGS, se uma ecografia do 1.º trimestre (antes das 14 semanas) der uma data que divirja da estimativa por DUM mais do que o intervalo de confiança da ecografia — tipicamente 5-7 dias — deve ser a data ecográfica a prevalecer. A datação ecográfica é significativamente mais precisa do que a recordação da DUM, sobretudo quando esta é incerta ou os ciclos são irregulares. A nova data passa a orientar toda a vigilância pré-natal.
O que significam 'pré-termo', 'termo' e 'pós-termo'?
A SPOG e a DGS adoptam: pré-termo abaixo das 37+0 semanas (extremo pré-termo <28, muito pré-termo 28-32, pré-termo moderado/tardio 32-37); termo de 37+0 a 41+6 semanas (termo precoce 37+0-38+6, termo completo 39+0-40+6, termo tardio 41+0-41+6); e pós-termo a partir de 42+0 semanas. Os bebés nascidos no período de termo completo apresentam melhores resultados do que os nascidos em termo precoce.
E se eu não tiver bebé na data prevista?
A maioria dos bebés nasce numa janela de quatro semanas em torno da DPP; cerca de 80% entre as 38 e as 42 semanas. Às 41 semanas, a vigilância pré-natal portuguesa intensifica os controlos (cardiotocografia, perfil biofísico ou ecografia) segundo as orientações da SPOG. Às 42 semanas (pós-termo) é ponderada a indução, porque a função placentária declina e aumentam os riscos de aspiração meconial e mortalidade perinatal. A decisão de induzir é individualizada, em função das condições do colo, do bem-estar do bebé e das suas preferências.
Quem acompanha a minha gravidez em Portugal?
Em Portugal, a vigilância da gravidez de baixo risco é assegurada habitualmente no centro de saúde ou USF pelo médico de família e pela enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica. Em situação de risco médio ou elevado, ou em complicações, há referenciação para o obstetra do hospital de referência (cuidados hospitalares). O Boletim de Saúde da Grávida acompanha todas as consultas e exames realizados ao abrigo do Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco da DGS.
Que ecografias estão incluídas na vigilância pré-natal padrão em Portugal?
O Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco prevê três ecografias gratuitas no SNS: ecografia do 1.º trimestre (11-13+6 semanas, com medição da translucência da nuca), ecografia morfológica do 2.º trimestre (20-22 semanas) e ecografia do 3.º trimestre (30-32 semanas). Podem ser realizadas ecografias adicionais por indicação clínica (por exemplo, datação precoce, controlo de crescimento ou avaliação Doppler). O sector privado pode oferecer ecografias suplementares.
Esta calculadora funciona para FIV ou data de concepção conhecida?
Esta ferramenta usa o método da DUM, pelo que não é a opção mais precisa para gravidezes por FIV. Na FIV, os clínicos somam 266 dias à data da concepção, ajustando depois pela idade do embrião na transferência (um blastocisto de dia 5 já tem 5 dias de desenvolvimento). O resultado é muito mais preciso do que a datação pela DUM, porque a data da concepção é conhecida ao dia. Se engravidou por FIV, peça à clínica de medicina da reprodução a DPP oficial.
Uma gravidez pode passar das 42 semanas?
Pode, mas é raro e cada vez mais desaconselhado. Após as 42 semanas, aumentam os riscos de morte fetal intra-uterina, aspiração meconial, macrossomia e insuficiência placentária. A maioria das equipas obstétricas em Portugal oferece indução entre as 41 e as 42 semanas se o trabalho de parto não se iniciar espontaneamente. Se, quando e como induzir é uma decisão individualizada, em função das condições do colo, do bem-estar do bebé e das suas preferências — discuta as opções com o seu obstetra.