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Calculadora de Rendibilidade dos Ativos Líquidos

Calcule a rendibilidade dos ativos operacionais líquidos (RONA)

Fórmulas do RONA

Fórmula do RONA
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Fundo de Maneio Líquido
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Compreender o RONA no contexto português

A Rendibilidade dos Ativos Líquidos (RONA, do inglês Return on Net Assets) mede a eficiência com que uma empresa gera lucro a partir dos seus ativos operacionais líquidos — ativo fixo tangível mais fundo de maneio líquido. Ao contrário do ROA, o RONA centra-se nos ativos efetivamente afetos à exploração e exclui disponibilidades e ativos não operacionais, em linha com a lógica analítica do Sistema de Normalização Contabilística (SNC) homologado pelo Decreto-Lei n.º 158/2009 e supervisionado pela Comissão de Normalização Contabilística (CNC).

Em Portugal, o indicador é particularmente útil em empresas de capital intensivo (indústria transformadora, energia, construção) e em PMEs que precisam de demonstrar produtividade do capital ao Banco de Portugal, ao IAPMEI ou a investidores cotados sob supervisão da CMVM. A fórmula RONA = Lucro Líquido / (Ativos Fixos + FML), com FML = Ativo Circulante − Passivo Circulante, permite isolar o desempenho operacional do efeito do financiamento.

Para análise comparativa, recomenda-se cruzar o RONA com as estatísticas setoriais do INE (Instituto Nacional de Estatística) — nomeadamente a Central de Balanços e os indicadores Beta — e com a decomposição DuPont (RONA = Margem Operacional × Rotação do Ativo), de forma a perceber se um RONA fraco resulta de margens reduzidas ou de baixa rotação do capital empregue.

RONA vs. outras métricas de rendibilidade

📊

RONA

Rendibilidade do ativo fixo + fundo de maneio. Foco operacional puro.

💼

ROA

Rendibilidade do ativo total, incluindo caixa e goodwill. Visão mais ampla.

📈

ROE

Rendibilidade dos capitais próprios. Afetada pela alavancagem financeira.

💰

ROIC

Rendibilidade do capital investido. Inclui dívida e capitais próprios.

Referenciais de RONA por setor (Portugal)

SetorRONA TípicoRONA BomNotas
Indústria transformadora8%–15%>15%Elevado peso do ativo fixo (CAE C)
Comércio a retalho12%–20%>18%Intensivo em existências (CAE G)
Tecnologias de informação15%–30%>25%Asset-light (CAE J)
Eletricidade e água5%–10%>8%Regulado pela ERSE (CAE D)
Serviços profissionais20%–40%>30%Pouco ativo fixo (CAE M)

Como melhorar o RONA

📈

Aumentar a rentabilidade

Margens mais elevadas melhoram diretamente o RONA. Trabalhar a política de preços, a estrutura de custos e a eficiência operacional.

🔧

Otimizar o ativo fixo

Melhorar a taxa de utilização do imobilizado. Alienar ou reafetar ativos com baixo retorno e ponderar locação operacional vs. aquisição.

💵

Gerir o fundo de maneio

Reduzir prazos médios de existências, acelerar cobranças (PMR) e negociar prazos de pagamento (PMP) sem comprometer fornecedores.

📊

Monitorizar por segmento

Calcular o RONA por unidade de negócio ou CAE revela onde o capital é empregue com maior eficiência e onde corrigir.

Exemplos

RONA de uma indústria transformadora portuguesa

Uma sociedade anónima portuguesa do setor da metalomecânica, com sede no distrito de Aveiro e CAE 25 (Fabricação de produtos metálicos), apresenta no Relatório e Contas de 2025, depositado na Conservatória do Registo Comercial e disponível na Central de Balanços do Banco de Portugal: Lucro Líquido de 5 000 000 €, Ativo Fixo Tangível líquido de 30 000 000 € e Fundo de Maneio Líquido de 5 000 000 €. Pretende-se calcular o RONA para o submeter ao Conselho de Administração e comparar com os indicadores Beta do INE.

ResultadoRONA de 14,3% sobre 35 000 000 € de ativos operacionais líquidos.

Passo 1 — Ativos Operacionais Líquidos = 30 000 000 € + 5 000 000 € = 35 000 000 €. Passo 2 — RONA = 5 000 000 € / 35 000 000 € = 0,1429, ou seja, 14,3%. Passo 3 — leitura: o valor está dentro do intervalo típico de 8%–15% da indústria transformadora portuguesa segundo as estatísticas do INE (Empresas em Portugal) e do Banco de Portugal (Quadros do Setor), sinalizando uma utilização eficiente do imobilizado e do fundo de maneio. Passo 4 — decomposição DuPont: se a margem operacional for de 7% e a rotação do ativo for 2,04, confirma-se a aderência ao referencial setorial; abaixo disso, há margem para otimizar capital empregue.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre RONA e ROA no SNC português?

O ROA divide o resultado líquido pelo ativo total apresentado no balanço SNC (Decreto-Lei n.º 158/2009), incluindo caixa, depósitos, investimentos financeiros, goodwill e outros ativos não operacionais. O RONA expurga essas rubricas e utiliza apenas o ativo fixo tangível (e intangível afeto à exploração) mais o fundo de maneio líquido, isolando a produtividade do capital efetivamente empregue na atividade. Uma empresa com elevada tesouraria parecerá medíocre em ROA mas forte em RONA, o que é frequente em PMEs portuguesas com excedentes acumulados.

Por que razão se exclui o caixa e os ativos não operacionais?

Disponibilidades, aplicações de tesouraria, investimentos financeiros e imóveis não afetos à exploração geram rendimentos por via de juros ou valorização patrimonial, não pela atividade operacional. Inclui-los confundiria decisões de financiamento com desempenho operacional e dificultaria a comparação entre empresas — algo crítico quando se cruzam dados com a Central de Balanços do Banco de Portugal ou com os indicadores setoriais Beta do INE. Excluí-los permite ao RONA responder a uma única pergunta: quanto lucro gera cada euro de capital produtivo.

Quais são os RONA típicos por CAE em Portugal?

Com base nas estatísticas Beta do INE e nos Quadros do Setor do Banco de Portugal, os intervalos médios em Portugal são: serviços profissionais (CAE M) 20%–40%; tecnologias de informação (CAE J) 15%–30%; comércio a retalho (CAE G) 12%–20%; indústria transformadora (CAE C) 8%–15%; energia, água e regulados pela ERSE (CAE D/E) 5%–10%. A comparação deve ser feita contra concorrentes diretos do mesmo CAE e com a mesma base contabilística (SNC ou IFRS adotadas via Regulamento CE 1606/2002), uma vez que a intensidade de capital fixo explica a maior parte da variação setorial.

Como calcular o Fundo de Maneio Líquido (FML) para o RONA?

Aplique-se FML = Ativo Circulante − Passivo Circulante, com base no mesmo balanço SNC à data de referência do ativo fixo. Alguns analistas portugueses, em linha com as orientações da CMVM para informação financeira de entidades cotadas, subtraem o excesso de caixa do ativo circulante e excluem o financiamento bancário de curto prazo do passivo circulante, de modo a que o denominador reflita apenas o fundo de maneio operacional. Esta abordagem é a recomendada quando o objetivo é a comparabilidade com o ROIC ou com benchmarks da Damodaran (NYU Stern).

Em que situações o RONA pode induzir em erro o analista?

O RONA tende a favorecer empresas com ativo fixo antigo e fortemente depreciado, porque o denominador encolhe mais rapidamente do que o valor económico real do imobilizado — algo frequente em fábricas portuguesas com décadas de operação. Penaliza também empresas em ciclo de investimento, que acabaram de capitalizar nova capacidade produtiva via Fundos Europeus (PRR, Portugal 2030). Recomenda-se combinar o RONA com rácios de ativo fixo bruto, intensidade de CAPEX e tendências plurianuais antes de tirar conclusões definitivas.

O RONA aplica-se a empresas de serviços e a sociedades de advogados em Portugal?

Sim, embora o denominador seja maioritariamente fundo de maneio, dado que o ativo fixo tangível é reduzido. Os RONA do setor de serviços (CAE M e N) tendem a aparecer elevados porque a base de ativos é estreita, pelo que o indicador é mais útil para acompanhar a tendência interna e a economia por trabalhador do que para comparações cruzadas com setores de capital intensivo. Para sociedades de advogados e consultoras, faz sentido conjugar o RONA com o rácio Receita por Sócio e com benchmarks publicados pelas associações profissionais.

As locações operacionais devem ser capitalizadas no cálculo dos ativos líquidos?

Sim. Desde a entrada em vigor da IFRS 16 (Regulamento UE 2017/1986) e da correspondente NCRF 9 atualizada pela CNC, a maioria das locações operacionais surge no balanço como ativo de direito de uso. Incluí-las no ativo fixo dá um RONA mais realista para retalhistas, companhias aéreas (TAP) e empresas com grande dependência de imóveis arrendados (Sonae, Jerónimo Martins); excluí-las sobrevaloriza o retorno e quebra a comparabilidade com demonstrações financeiras anteriores a 2019.

Fontes

Dicas Pro

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