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Calculadora de PMC

Calcule a propensão marginal a consumir

Fórmulas da PMC
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Análise da Propensão

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Exemplos

Apoio extraordinário de 1.000 € a famílias com PMC de 0,7

Uma família portuguesa recebe um apoio extraordinário ao rendimento de 1.000 €, semelhante às medidas previstas no Orçamento do Estado e operacionalizadas pela Segurança Social e pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). A evidência microeconómica recolhida pelo Banco de Portugal nos seus Boletins Económicos indica que a propensão marginal a consumir típica de uma família de rendimento médio em Portugal se situa próxima de 0,7. Qual a resposta imediata do consumo e qual a dimensão do multiplicador de despesa implícito segundo o modelo keynesiano simples?

ResultadoPMC = 0,70, PMP = 0,30 e o multiplicador de despesa é aproximadamente 3,33. O aumento de consumo na primeira ronda é de 700 €, com 300 € poupados.

PMC = \Delta C / \Delta Y = 700 / 1.000 = 0,70. PMP = 1 - 0,70 = 0,30. O multiplicador 1 / (1 - PMC) = 1 / 0,30 \approx 3,33, pelo que uma transferência de 1.000 € pode gerar até cerca de 3.330 € de atividade económica total ao longo de várias rondas sucessivas de despesa antes que as fugas (poupança, impostos pagos à AT, importações registadas pelo INE na Balança de Pagamentos) absorvam o restante. Em Portugal, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) sublinha que os multiplicadores efetivos são menores devido à elevada propensão a importar de uma economia pequena e aberta.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre PMC e PMeC?

A PMC (Propensão Marginal a Consumir) mede a variação no consumo decorrente de uma variação no rendimento: ΔC/ΔY. A PMeC (Propensão Média a Consumir) é o consumo total dividido pelo rendimento total: C/Y. A PMC descreve a resposta das famílias na margem a um euro adicional, enquanto a PMeC descreve a sua taxa global de consumo. Nos modelos keynesianos a PMeC diminui tipicamente com o rendimento, e a PMC situa-se geralmente abaixo da PMeC nas famílias de rendimento mais elevado, conforme documentado pelo INE no Inquérito às Despesas das Famílias.

Como é que a PMC determina o multiplicador orçamental?

O multiplicador keynesiano simples da despesa é 1 / (1 - PMC). Se a PMC for 0,7, o multiplicador é cerca de 3,33; se a PMC for 0,5, desce para 2,0. Na prática os multiplicadores são menores devido a fugas: impostos cobrados pela Autoridade Tributária, importações registadas pelo INE e poupança intermediada pela banca supervisionada pelo Banco de Portugal. O Conselho das Finanças Públicas (CFP) estima multiplicadores de curto prazo de 0,4 a 0,9 para a economia portuguesa, em linha com a evidência da Comissão Europeia para economias pequenas e abertas.

Por que é que as famílias de baixo rendimento têm uma PMC mais elevada?

As famílias de baixo rendimento estão com maior frequência sujeitas a restrições de liquidez: dispõem de poupanças reduzidas e acesso limitado ao crédito, pelo que um euro adicional tem de ser gasto em necessidades imediatas (alimentação, renda, eletricidade, água). Carroll, Slacalek e co-autores documentam PMC de 0,7 a 0,9 para o quintil inferior de rendimento na área do euro, face a 0,2 a 0,4 no topo. Esta heterogeneidade é central nos modelos HANK (Heterogeneous Agent New Keynesian) utilizados nas projeções do BCE e do Banco de Portugal.

O que prevê a Hipótese do Rendimento Permanente para a PMC?

A Hipótese do Rendimento Permanente (PIH) de Milton Friedman defende que as famílias suavizam o consumo em função do rendimento permanente, e não de choques transitórios. A PIH prevê uma PMC muito baixa em resposta a ganhos pontuais — talvez 0,05 a 0,10 — porque os agentes racionais distribuem um ganho único pelo restante do ciclo de vida. A evidência empírica desde os anos 1990 rejeita a PIH na sua forma pura: as PMC observadas em reembolsos fiscais do IRS e apoios extraordinários situam-se entre 0,2 e 0,6, muito acima do previsto, sobretudo nas famílias com restrições de liquidez.

Qual é o valor típico da PMC em Portugal e na área do euro?

A PMC agregada na área do euro perante choques transitórios de rendimento é estimada em cerca de 0,4 a 0,6 no primeiro ano, segundo estudos do BCE e do Banco de Portugal. Desagregada por escalão, varia entre cerca de 0,3 para famílias de rendimento elevado e 0,85 a 0,95 para famílias de rendimento baixo ou com restrições de crédito. Em Portugal, os apoios extraordinários ao rendimento aplicados em 2020 a 2022 no contexto da COVID-19 e da inflação registaram PMC médias estimadas pelo Banco de Portugal entre 0,4 e 0,6 num horizonte de três meses.

A PMC pode ser superior a 1?

Uma PMC sustentada acima de 1 é impossível porque uma família não pode consumir mais de 100% do rendimento adicional indefinidamente. No entanto, no curto prazo, as famílias podem gastar mais do que um choque pontual ao recorrerem a poupanças ou crédito bancário, produzindo PMC medidas iguais ou superiores a 1 em janelas estreitas. Este padrão é ocasionalmente observado em estudos de pagamentos únicos de elevado montante feitos a consumidores fortemente restringidos no acesso ao crédito.

Como é que a PMC varia em períodos de recessão?

Atuam duas forças opostas. As restrições de liquidez agravam-se e o desemprego registado pelo IEFP aumenta, elevando a PMC das famílias afetadas. Mas a incerteza agregada eleva a poupança por precaução, reduzindo a PMC dos não afetados. O efeito líquido é empiricamente positivo: a PMC agregada tende a subir nas recessões, razão pela qual o estímulo orçamental tem sido historicamente mais eficaz em períodos recessivos do que em expansões (Auerbach e Gorodnichenko, 2012), conclusão coerente com a análise do CFP para Portugal.

Por que é que a PMC é importante no desenho das políticas públicas em Portugal?

Os estímulos direcionados a grupos com PMC elevada (famílias de baixo rendimento, desempregados inscritos no IEFP, famílias com filhos beneficiárias do Abono de Família) produzem ganhos de consumo e de PIB superiores por euro despendido, em comparação com reduções fiscais generalizadas que beneficiam sobretudo grandes poupadores. As medidas de apoio direto às famílias adotadas pelo Governo português em 2022 e 2023 — analisadas pelo Conselho das Finanças Públicas — apresentaram multiplicadores estimados acima dos das reduções gerais do IRC, exatamente devido à heterogeneidade na PMC.

Fontes

Dicas Pro

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